Começa o julgamento do chefe da tortura do Khmer Vermelho

Phnom Penh, 17 fev (EFE).- O tribunal internacional auspiciado pelas Nações Unidas começou hoje a julgar por genocídio o chefe da câmara de tortura do Khmer Vermelho, Kaing Guev Eav, primeiro dos cinco acusados da exterminar 1,7 milhão de pessoas há três décadas.

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Kaing, conhecido como "Camarada Duch", de 66 anos, foi o comandante da prisão de Tuol Sleng, pela qual passaram cerca de 14.000 pessoas para serem interrogadas, torturadas, e executadas entre os muros do recinto ou no campo de extermínio de Choeung Ek, cerca de 15 quilômetros de Phnom Penh.

Duch, o ex-Khmer Vermelho de menor categoria que será julgado, também dirigiu durante a guerra que precedeu à vitória do grupo maoísta, em abril de 1975, as prisões M-13 e M-99, situadas na selva do noroeste do Camboja.

Os investigadores acreditam que cerca de 20.000 cambojanos morreram durante seu encarceramento nessas duas prisões do Khmer Vermelho.

Duch foi levado ao edifício do tribunal do próximo centro de detenção em um carro blindado, protegido por um comboio de veículos carregados de membros das forças de segurança.

A primeira audiência do julgamento do comandante da Tuol Sleng (árvore da fruta venenosa), ou S-21, tem como objetivo sentar os procedimentos e fixar a ordem de comparecimento do acusado e das testemunhas que declararão nas sessões, previstas para meados de março.

Duch e sua máquina de matar simbolizam o genocídio cometido pelo Khmer Vermelho entre abril de 1975 e janeiro de 1979, período no qual um quarto da população do Camboja foi executada ou morreu de crise de fome ou por doenças nos imensos campos de trabalhos forçados.

Apesar do horrível número de mortos, apenas outros quatro influentes ex-dirigentes do regime maoísta estão presos e acusados de cometer crimes similares aos quais Duch é acusado.

Este, ao contrário do resto dos acusados, que negam ter tido conhecimento das atrocidades e inclusive da existência de Tuol Sleng, admitiu sua culpa e aceitou sua responsabilidade pelas ações realizadas.

A criação do tribunal internacional foi estipulada em 2003, após vários anos de difíceis negociações entre as Nações Unidas e o Governo do Camboja, que o administram conjuntamente, introduzindo elementos da legislação internacional e nacional.

Desde que iniciou os procedimentos judiciais, o tribunal auspiciado pela ONU foi alvo de críticas por comprometer os padrões da justiça internacional e por sua vulnerabilidade à manipulação por parte do primeiro-ministro e "homem forte" do Camboja, Hun Sen, que desertou do Khmer Vermelho para se unir às tropas do Vietnã que invadiram o Camboja. EFE jc/ma

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