Começa na Índia julgamento de único sobrevivente dos atentados de Mumbai

O julgamento do único sobrevivente do grupo de radicais islâmicos que atacou Mumbai em novembro de 2008 começa nesta quarta-feira sob um forte esquema de segurança na capital econômica da Índia, que considera os atentados sem precedentes como seu 11 de setembro.

AFP |

O paquistanês Mohammed Ajmal Amir Iman, mais conhecido como Kasab, está em detenção preventiva desde os atentados de Mumbai, que deixaram 174 mortos, entre eles nove dos dez terroristas - um episódio ocorrido entre os dias 26 e 29 de novembro de 2008.

Detido depois de cometer um massacre na estação ferroviária de Mumbai, Kasab, 21 anos, é acusado de "atos de guerra contra o país", assassinatos e tentativas de assassinatos, e violação da legislação sobre armas e explosivos.

Ele pode ser condenado à pena de morte.

Os autores do "11 de setembro indiano", como batizou a imprensa, tinham claramente a intenção de "desestabilizar a Índia, conduzir uma guerra contra o país, aterrorizar seus cidadãos, provocar perdas financeiras e lançar uma advertência a outras nações", segundo a ata de acusação.

A Índia, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha culpam pelo ataque o Lashkar-e-Taiba (LeT), um grupo radical islâmico clandestino paquistanês que atua na Caxemira. Nova Delhi também denunciou uma suposta cumplicidade dos serviços de inteligência militares paquistaneses (ISI).

Tanto o LeT como Islamabad negaram as acusações, mas o Paquistão admitiu que o complô foi "parcialmente" urdido em seu território.

Apesar de as autoridades da Índia insistirem em acusar o Paquistão, elas também entregaram à justiça dois islâmicos indianos, Fahim Ansari, 35 anos, e Sabauddin Ahmed, 24 anos, por terem prestado apoio logístico ao grupo de terroristas antes dos ataques.

No início de abril, uma advogada indiana, Anjali Waghmare, aceitou defender Kasab, apesar das pressões e ameaças proferidas por fundamentalistas hindus.

A Constituição da Índia estipula que todos os acusados têm direito à defesa em um julgamento justo.

Contudo, levando em conta a excepcional gravidade dos fatos, "a necessidade de garantir um processo justo a Kasab não se justifica", havia dito em dezembro à AFP o secretário honorário do Ministério Público de Mumbai, M. P. Rao.

O tribunal especial na prisão Arthur Road, palco em 2007 do julgamento dos atentados de 12 de março de 1993 em Mumbai (257 mortos) é objeto de um forte esquema de segurança. O bairro, onde vivem 25.000 pessoas, foi totalmente bloqueado pelas forças da ordem.

Correntes de aço foram colocadas em volta do edifício, protegido por centenas de policiais e soldados com coletes a prova de balas.

A circulação em volta da prisão ficará proibida durante os seis meses de audiências, às quais deverão comparecer 2.000 testemunhas. Haverá um único juiz, e nenhum jurado.

Um túnel blindado foi construído entre o tribunal e a cela de Kasab, que está no isolamento, separado dos outros 3.000 presos da penitenciária Arthur Road, entre os quais há vários chefes da temível "máfia" de Mumbai.

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