Começa manifestação da oposição em Teerã

TEERÃ - Milhares de partidários do candidato derrotado Mir Hossein Mousavi iniciaram nesta quinta-feira uma nova manifestação em Teerã, para recordar os mortos nos protestos contra a reeleição do presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad.

Redação com agências internacionais |

"Que a paz esteja com Maomé e sua familia", gritava a multidão em uma passeata ao sul de Teerã, que conta com a presença do próprio Mousavi.

Mousavi, o candidato que foi declarado perdedor nas eleições iranianas de 12 de junho, se somou aos manifestantes no protesto organizado pelo sexto dia consecutivo.

"Estávamos sentados diante do ministério das Telecomunicações. Mousavi chegou às 18h local (10h30 de Brasília). Saiu do carro e falou com a multidão", declarou a testemunha.

Luto pelos mortos

Diversas manifestações de luto estão programadas para esta quinta-feira no Irã pelos mortos nos protestos contra a reeleição do presidente radical Mahmud Ahmadinejad.

Mousavi convocou um dia de luto pelos sete civis mortos na segunda-feira nos confrontos entre manifestantes e milicianos islamitas. Ele pediu aos iranianos que que se reúnam nas mesquitas ou em passeatas silenciosas vestidos de negro.

Uma primeira concentração deve acontecer diante do prédio da ONU em Teerã e uma segunda na praça do Imã, zona sul da capital.

Protestos de quarta-feira

Dezenas de milhares de pessoas participaram na quarta-feira no protesto, com braçadeiras e fitas verdes - a cor da campanha de Mussavi -, além de cartazes com acusações de que Ahmadinejad roubou seus votos.

O jornal reformista Etemad Meli dedica a primeira página ao "movimento silencioso em Teerã", com três fotografias da manifestação proibida, mas que teve grande resposta da população, realizada na quarta-feira em Teerã.

Crise eleitoral

O aiatolá Ali Khamenei, guia supremo do país, a principal autoridade da República Islâmica, se declarou disposto a considerar uma revisão parcial dos votos, diante das denúncias dos candidatos opositores de que a contundente vitória de Ahmadinejad (com 63% dos votos) foi fraudada.

Mousavi reiterou na quarta-feira o pedido de anulação do que chamou de "fraude vergonhosa" e a convocação de novas eleições.

O poder islâmico, que enfrenta a crise política mais aguda desde a revolução que instaurou o regime em 1979, realizou nos últimos dias detenções de líderes reformistas, adotou medidas drásticas para impedir o trabalho da imprensa, nacional e estrangeira, e denunciou "interferências" por parte dos inimigos do Irã, incluindo os Estados Unidos.

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