Começa julgamento de suposto assassino de jornalista russa

Moscou, 15 out (EFE).- O processo judicial pelo assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya, uma das mais críticas à política do Kremlin, começou hoje à revelia do suposto autor e mentor do crime.

EFE |

"No banco dos réus só está uma pequena parte dos envolvidos, assegurou Ilya Politkovski, filho da repórter assassinada a tiros na porta de sua casa em Moscou, em 7 de outubro de 2006.

A audiência preliminar do caso aconteceu no Tribunal Militar de Moscou, onde deveria se decidir se o julgamento aconteceria a portas fechadas ou não.

No entanto, "a audiência foi adiada para 17 de novembro", assinalou à Agência Efe um porta-voz do tribunal, sem que se tomasse nenhuma decisão sobre o procedimento processual.

Em 18 de novembro acontecerá a seleção dos membros do júri popular, que terá a responsabilidade de opinar sobre a sentença, disse o redator chefe da revista "Nóvaya Gazeta", Serguei Sokolov.

Os advogados da família de Politkovskaya criticaram o fato de que o caso seja visto por um júri popular, que costuma ser mais benévolo com os acusados que os juízes profissionais.

"O assassinato ainda não foi esclarecido. Espero que as principais pessoas que perpetraram o assassinato sejam encontradas", disse o filho da jornalista.

O suposto autor e mentor do crime, identificado como Rustam Majmúdov, é procurado internacionalmente, em uma fuga que foi muito criticada pela "Nóvaya Gazeta", onde Politkovskaya trabalhou.

No banco dos réus estão dois dos irmãos do foragido, como supostos cúmplices, e também o ex-policial Serguei Jadzhikurbánov, que poderia ter presenciado o assassinato.

Além disso, como envolvido não acusado está o coronel dos serviços secretos russos Pavel Riáguzov, que poderia ter facilitado a aproximação dos assassinos a Politkovskaya.

A audiência foi cercada de polêmica, já que os representantes de Politkovskaya pediram o adiamento do julgamento pela suposta tentativa de assassinato de sua advogada, Karina Moskalenko, atualmente hospitalizada após ser envenenada com mercúrio. EFE io/rr

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