Acusado de tentar ativar bomba em um voo comercial nos EUA se perfumou antes do atentado fracassado, segundo promotor

O nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, autor do ataque frustrado em 25 de dezembro a um avião que voava de Amsterdã a Detroit, nos EUA
AFP
O nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, autor do ataque frustrado em 25 de dezembro a um avião que voava de Amsterdã a Detroit, nos EUA
O julgamento do suposto terrorista Umar Farouk Abdulmutallab, jovem nigeriano acusado de tentar explodir um avião comercial com uma bomba escondida em sua roupa, teve início nesta terça-feira em Detroit, nos Estados Unidos, perante um júri composto por três homens e nove mulheres.

Segundo a Promotoria, no dia do Natal de 2009, durante um voo da companhia aérea Northwest, de Amsterdã, na Holanda, com destino a Detroit, o nigeriano foi ao banheiro da aeronave pouco antes da aterrissagem. Quando retornou a seu assento, disse que se sentia mal e cobriu-se com uma manta, sob a qual tentou acender uma mistura explosiva escondida em suas vestimentas.

O promotor Jonathan Tukel afirmou que, quando estava no banheiro, Farouk "realizou alguns rituais. Ele se preparou para morrer e entrar no paraíso. Ele se purificou, se lavou e escovou seus dentes, e também colocou perfume. Ele estava rezando e se perfumando, preparando-se para a morte". Na ocasião, outros passageiros do voo e membros da tripulação lutaram com o jovem quando perceberam sua intenção, e impediram a explosão do artefato.

A Promotoria também sustenta que Farouk pertence a um grupo terrorista da Península Arábica vinculado à rede Al-Qaeda. O acusado insistiu em fazer a própria defesa no julgamento, mas contará com a assessoria de um experiente advogado profissional. As declarações tiveram início após um recesso de 70 minutos solicitado pelo réu e pelo advogado, Anthony Chambers, logo depois que entraram na sala de audiência.

Farouk, 24 anos, foi à corte vestindo um dashiki, um traje africano, e um gorro preto e permaneceu em silêncio ao se dirigir à mesa da defesa. Antes do recesso, Chambers pediu à juiza para não serem usadas as palavras "bomba" ou "explosivos" no julgamento até os argumentos finais, alegando que cabia ao júri decidir o que havia causado a fumaça e o fogo no avião.

"Eu vou negar a moção... Não faz o menor sentido", afirmou a juíza Judge Nancy Edmunds. Ela também pediu ao advogado Kurt Haskell que deixasse a corte antes de começarem os depoimentos, porque ele poderia ser chamado a depor como testemunha da defesa. Ele era um dos passageiros do voo 253 e acredita que o governo americano conspira contra Farouk.

Apesar de Farouk ter pedido para fazer sua própria defesa, Chambers é quem vai interrogar as testemunhas do governo e persuadiu o réu a deixá-lo fazer a primeira defesa nesta quinta. Farouk preencheu alguns formulários a próprio punho, inclusive um pedido para ser julgado sob a lei islâmica.

Na semana passada, durante a escolha do júri, Farouk prometeu que os militantes islâmicos vão eliminar o "câncer dos EUA" e bradou que Anwar al-Awlaqui, morto por um avião não-tripulado americano no Iêmen, está vivo. "Os mujahedins eliminarão os Estados Unidos, o câncer dos Estados Unidos", gritou Umar Faruk Abdulmutallab, 24 anos, antes de bradar que "Anwar está vivo", em referência ao clérigo americano.

Anwar al-Awlaqi, um dos líderes da rede terrorista Al-Qaeda, sempre foi vinculado pelas autoridades americanas à conspiração para explodir o voo Amsterdã-Detroit no Natal de 2009 .

O júri é composto por três homens brancos, seis mulheres brancas, duas negras e uma de ascendência asiática. O nigeriano é acusado de tentar usar armas de destruição em massa, de conspiração para cometer um ato de terrorismo e de posse de arma de fogo ou bomba destrutiva com o intuito de praticar um ato de violência. O julgamento deverá durar de três a quatro semanas. Abdulmutallab se declarou inocente de todas as acusações.

Após o incidente no avião, agentes do FBI interrogaram o jovem durante 50 minutos no Hospital da Universidade de Michigan, enquanto ele recebia atendimento médico pelas queimaduras de terceiro grau que sofreu. Segundo as autoridades, o nigeriano deu detalhes de sua missão e afirmou que sua intenção era matar a todas as pessoas a bordo.

Com AP e EFE

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