Umar Patek é suspeito de construir as bombas usadas no ataque de 2002 contra casas noturnas que deixou 202 mortos

O militante muçulmano suspeito de construir as bombas usadas no ataque de Bali em 2002 foi a julgamento nesta segunda-feira sob acusações de terrorismo um anos depois de sua prisão na mesma cidade paquistanesa em que Osama bin Laden estava escondido.

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Umar Patek, militante acusado pelo atentado contra Bali em 2002, caminha pela corte após seu julgamento em Jacarta, Indonésia
AP
Umar Patek, militante acusado pelo atentado contra Bali em 2002, caminha pela corte após seu julgamento em Jacarta, Indonésia

Umar Patek é um dos maiores susbeitos do atentado a uma casa noturna de Bali, que deixou 202 mortos cerca de um ano depois dos ataques do 11 de Setembro e trouxe atenção internacional a um grupo ligado a Al-Qaeda, cujo objetivo é criar um Estado pan islâmico no Sudeste Asiático.

Os três mentores do atentado já foram julgados e executados, e as autoridades fizeram grandes avanços em desmantelar o grupo terrorista regional, Jemaah Islamiyah.

Mas Patek, conhecido como o "homem demolidor" pelos investigadores da Indonésia, escapou do país após o ataque e ficou foragido por nove anos, morando nas Filipinas e no Paquistão, em busca de mais oportunidades de atentados.

Patek foi capturado em janeiro de 2011 em Abbottabad, onde forças especiais dos EUA matariam Bin Laden meses depois. Patek era um dos dos suspeitos de terrorismo mais procurados da Ásia, com recompensa de US$ 1 milhão.

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O julgamento pode esclarecer o que Patek fazia em Abbottabad. O ministro da Defesa da Indonésia Purnomo Yugiantoro disse que ele teria marcado um encontro com Bin Laden, o que Patek nega, afirmando que ele estava a caminho de procurar abrigo no Afeganistão. Os investigadores americanos e paquistaneses sugeriram que a estada de Patek em Abbotabbad era fruto de uma pura coincidência.

Patek, que é também acusado de uma série de atentados na noite de Natal em 2000, que deixou 19 mortos, entrou no tribunal do distrito ocidental de Jacarta com forte esquema de segurança nesta segunda-feira.

Ele sorriu aos repórteres e fotógrafos, mas não respondeu a nenhuma das questões da mídia. Vestindo uma túnica eum capuz brancos, Patek, 45 anos, sentou-se tranquilamente enquanto a acusação era lida pelos procuradores. "Seu envolvimento no ataque de Bali, assim como os ataques às igrejas, não foi tão grande quanto está sendo descrito", disse o chefe da defesa Ashluddin Hatjani a repórteres após o julgamento. "Esse argumento será desafiado pela defesa na semana que vem."

Patek, cujo nome verdadeiro é Hisyam Bin Alizein, pode enfrentar a pena de morte por fuzilamento se condenado. As acusações inclues crimes de homicídio premeditado, ocultar informações sobre terrorismo, posse ilegal de explosivos e conspiraçao. "Umar Patek é realmente perigoso...ele provocou a morte de muitas pessoas", disse o promotor Bambang Suharijadi, acrescentando que sua equipe vai pedir a pena de morte.

Após a leitura das acusações, o juiz Lexsy Mamoto adiou o julgamento para a próxima segunda-feira. Patek então cumprimentou todos os promotores, exceto Rini Hartati, a única mulher entre eles. Hartati ergueu sua mão para cumprimentá-lo, mas Patek recuou, colocando sua mão direito sobre o peito.

Em uma reprodução do atentado feita pela polícia de Bali, enquanto ele estaca sob custódia, Patek mostrou como ele e outros colegas esconderam 700 kg de explosivos em uma van, detonada do lado de foram de duas casas noturnas na famosa praia Kuta, em Bali.

Patek deixou Bali poucos dias antes dos antes dos ataques de 12 de outubro, enquanto Imam Samudra e dois outros mentores dos ataques de Bali - os irmãos Amrozi Nurhasyim e Ali Ghufron - foram capturados, julgados e executados.

Com AP

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