Começa julgamento de líder pró-democracia de Mianmar

A líder pró-democracia de Mianmar, Aung San Suu Kyi, está sendo julgada na capital do país, Yangun, nesta segunda-feira, depois de passar quase 20 anos presa em vários locais.

BBC Brasil |

Reuters
Ativista sul-coreana protesta contra a prisão de Kyi em frente à embaixada de Mianmar em Bangcoc

Ativista sul-coreana protesta contra a prisão de Kyi
em frente à embaixada de Mianmar em Bangcoc

Pelas normas da Constituição do país, Suu Kyi deveria ser libertada no dia 27 de maio, depois de seis anos consecutivos de prisão domiciliar, mas, na semana passada, ela foi acusada de violar os termos de sua detenção e levada a um presídio.

Aung San Suu Kyi está sendo julgada depois que um americano, John Yettaw, atravessou a nado um lago para chegar à casa em que ela estava confinada. O advogado de Suu Kyi insiste que Yettaw não havia sido convidado para uma visita.

Se for condenada, Aung San Suu Kyi pode ser sentenciada a até cinco anos de prisão - período que abrange eleições planejadas para o ano que vem.

A duração do julgamento é imprevisível. Correspondentes dizem que pode durar poucos dias ou várias semanas - o governo deve chamar até 22 testemunhas de acusação.

Duas assistentes de Suu Kyi estão sendo julgadas com ela e a audiência de Yettaw, que também foi preso, está marcada para esta segunda-feira.

Reação internacional

A segurança é reforçada em torno do presídio de Insein, onde Suu Kyi está sendo julgada. Dezenas de partidários, inclusive membros proeminentes da Liga Nacional para a Democracia, a que Suu Kyi pertence, se reuniram perto do presídio, mas tropas de choque montaram barricadas com arame farpado para impedir que se aproximem do prédio.

Os embaixadores de França, Alemanha e Itália também foram impedidos de entrar na prisão, mas há notícia de que o cônsul dos Estados Unidos foi autorizado a acessar o local, possivelmente para visitar Yettaw.

O correspondente da BBC para o Sudeste da Ásia, Jonathan Head, disse que a ação equivocada de um indivíduo aparentemente bem-intencionado deu um pretexto para o governo militar de Mianmar mantê-la presa.

O tratamento dedicado à líder política pelas autoridades de Mianmar recebeu ampla condenação dos países ocidentais.

O representante de Política Externa da União Europeia, Javier Solana, disse que as sanções contra o país precisam ser endurecidas. Até agora, contudo, não houve reação oficial dos dois grandes vizinhos de Mianmar, China e Índia, ou do grupo regional de que o país faz parte, Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).

Há planos para manifestações contra o julgamento diante de embaixadas de Mianmar em 20 cidades do mundo nesta segunda-feira.

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