Londres, 22 set (EFE).- A investigação pública sobre a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto a tiros em 22 de julho de 2005 em uma estação do metrô londrino por agentes que o confundiram com um terrorista suicida, começou hoje, em Londres.

Cerca de 100 pessoas, entre elas 65 policiais, foram chamados a depor nesta investigação, que deve durar aproximadamente três meses.

Entre os parentes que foram hoje ao estádio Oval de críquete, no sul de Londres, onde ocorre a investigação, estavam três primos de Jean Charles - Alex Pereira, Alessandro Pereira e Patricia da Silva Armani - além de amigos que distribuíram panfletos com a bandeira brasileira e o lema "três anos e sem justiça".

Além disso, usavam camisas com a data do trágico incidente na estação londrina de Stockwell (sul).

O ex-juiz do Tribunal Superior de Londres Michael Wright ficará responsável pelo caso, que acontece perto da estação de Stockwell.

Entre os assuntos que Wright deverá abordar estão a legalidade das medidas tomadas pela Polícia na manhã de 22 de julho de 2005 e como Jean Charles conseguiu pegar um ônibus para chegar à estação, já que as forças da ordem o seguiam a partir de um apartamento no bairro de Tulse Hill (sul de Londres).

Entre os chamados a depor estão dois agentes que fizeram os disparos, identificados como "Charlie 2" e "Charlie 12". Eles prestarão declaração protegidos por um biombo, para resguardar sua identidade.

Uma testemunha-chave será Cressida Dick, responsável direta da operação e que em um julgamento anterior foi absolvida por um júri de qualquer culpa pessoal na morte do brasileiro.

A morte de Jean Charles aconteceu um dia depois dos atentados fracassados de 21 de julho de 2005 contra a rede de transporte de Londres, nos quais nenhuma pessoa ficou ferida e que pretendiam imitar os ataques terroristas de 7 de julho daquele ano em Londres.

No ano passado, a Polícia Metropolitana de Londres foi declarada culpada de violar a Lei de Saúde e Segurança no Trabalho de 1974, que obriga as forças da ordem a cumprir as normas também a respeito dos que não são seus funcionários. EFE vg/an

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