Começa invasão israelense da Faixa de Gaza

As tropas israelenses entraram neste sábado na Faixa de Gaza e enfrentaram os islâmicos do Hamas, pela primeira vez desde o início, há uma semana, da ofensiva que já provocou a morte de mais de 460 palestinos.

AFP |

O grupo palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza, ameaçou transformar este território em "cemitério" para os soldados israelenses, enquanto o presidente palestino, Mahmud Abbas, condenava a operação terrestre e pedia uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU.

O Exército de Israel anunciou que a ofensiva terrestre, a primeira desta envergadura desde a evacuação da Faixa de Gaza, em 2005, durará "muitos dias". O governo israelense explicou que o objetivo é "tomar o controle" dos setores de Gaza de onde são disparados os foguetes contra Israel.

Um dirigente militar israelense já afirmou que dezenas de palestinos armados foram mortos nas horas que seguiram a ofensiva terrestre, e ressaltou a ausência de perdas israelenses.

No entanto, a rede de televisão do Hamas, a Al-Aqsa TV, mencionou vários soldados israelenses mortos no norte da Faixa de Gaza.

Desde o início de sua ofensiva, em 27 de dezembro, Israel bombardeara por ar e por mar a Faixa de Gaza, onde pelo menos 463 palestinos, entre eles 75 crianças e 21 mulheres, morreram, e 2.360 ficaram feridos, segundo fontes médicas palestinas.

Durante o mesmo período, cerca de 500 foguetes palestinos disparados desde a Faixa de Gaza mataram quatro pessoas em Israel, entre eles um soldado, e feriram outras 15, segundo as autoridades israelenses.

Um "número importante de forças" está participando da "segunda fase" da ofensiva, que começou com a entrada de tropas na Faixa de Gaza, afirmou o Exército, ameaçando com represálias os moradores de Gaza que ajudarem os "terroristas" do Hamas.

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, assinou "uma ordem de mobilização urgente de milhares de reservistas" para esta ofensiva.

Depois de entrarem na Faixa de Gaza, tanques israelenses abriram fogo contra posições do Hamas no norte do território, e os combatentes islâmicos responderam com tiros de morteiro, segundo testemunhas.

Explosões e trocas de tiros foram ouvidos em vários setores, enquanto as tropas, apoiadas por helicópteros Apache, avançavam na Faixa de Gaza. Os ativistas palestinos dispararam obuses de morteiro e detonaram várias bombas à beira das estradas durante sua passagem.

Uma criança palestina morreu e outras 11 pessoas ficaram feridas na explosão de um obus de tanque israelense na cidade de Gaza, segundo fontes médicas e testemunhas.

"Gaza será seu cemitério, com a ajuda de Deus", afirmou um porta-voz do Hamas, Ismail Radwan, ao ler um comunicado na rede de TV do Hamas, que também divulgou uma mensagem segundo a qual "a resistência preparou centenas de homens e mulheres para conduzir operações mártires (atentados suicidas).

Em mensagem divulgada poucas horas antes, o Hamas ameaçara seqüestrar soldados israelenses.

A aviação israelense continuou com seus bombardeios e matou pelo menos 22 palestinos neste sábado, 16 deles em uma mesquita. Dois importantes líderes locais do Hamas estão entre os mortos, segundo fontes palestinas.

Já os ativistas palestinos dispararam pelo menos 15 foguetes contra o sul de Israel, onde três pessoas foram feridas em Ashdod e Netiviot, respectivamente a 30 km e 20 km da Faixa de Gaza, segundo o Exército israelense.

Ehud Barak também afirmou que seu país está pronto para qualquer eventualidade na fronteira com o Líbano, em advertência velada ao movimento xiita libanês Hezbollah, que travou uma guerra contra o Estado hebreu em meados de 2006.

Para o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, o Hamas e as demais facções de "resistência" têm que infligir "o maior número possível de perdas" ao Exército israelense.

A ofensiva de Israel também provocou uma séria deterioração da situação humanitária na Faixa de Gaza, um território densamente povoado que já era pobre antes da guerra.

"A situação em Gaza é terrível, e muitos produtos alimentares básicos já não estão mais disponíveis", alertou Christine van Nieuwenhuyse, representante do Programa Alimentar Mundial (PAM) nos territórios palestinos.

O governo do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, reiterara na sexta-feira que a decisão de lançar ou não uma ofensiva terrestre na Faixa de Gaza cabia somente a Israel, limitando-se a pedir a Tel Aviv que evite ao máximo vítimas civis.

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, "está atento à situação em Gaza", declarou neste sábado sua porta-voz, Brooke Anderson, ressaltando no entanto, para justificar o silêncio prudente de Obama: "Há apenas um presidente de cada vez, e pretendemos respeitar isso".

No âmbito diplomático, uma missão da União Européia (UE) liderada pelo ministro tcheco das Relações Exteriores, Karel Schwarzenberg, cujo país preside atualmente a UE, é aguardada domingo no Oriente Médio para discutir sobre um cessar-fogo. No entanto, o primeiro-ministro tcheco, Mirek Topolanek, já declarou que considera a operação terrestre israelense "mais defensiva do que ofensiva".

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, chegará segunda-feira à região e manterá uma reunião com o presidente palestino, Mahmud Abbas, na Cisjordânia. Abbas viajará em seguida a Nova York para defender na ONU a necessidade de uma trégua. De acordo com um dirigente palestino, Yasser Abed Rabbo, Sarkozy é portador de uma "importante iniciativa na perspectiva de um cessar-fogo".

Manifestações de apoio à população de Gaza foram registradas em várias capitais européias e árabes. Além disso, dezenas de milhares de árabes israelenses foram às ruas no norte de Israel para protestar contra os ataques em Gaza.

bur/yw

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