Começa identificação dos corpos encontrados do Airbus da Air France

Rio de Janeiro, 9 jun (EFE).- As autoridades brasileiras deram início hoje ao difícil trabalho de identificação dos primeiros 16 corpos encontrados dos ocupantes do avião da Air France que caiu no oceano Atlântico, nove dias após a tragédia ter acontecido.

EFE |

Dos 28 corpos retirados até agora do mar, 16 chegaram hoje ao posto montado no aeroporto de Fernando de Noronha, onde legistas e papiloscopistas iniciaram as perícias antes de enviá-los a Recife.

A Marinha e a Aeronáutica dirigem as operações de resgate na capital pernambucana, e ali os legistas brasileiros, com a ajuda de especialistas franceses, identificarão as vítimas com o auxílio de fotografias, amostras de DNA e registros dentários, entre outros.

Os corpos, conservados em contêineres refrigerados, foram analisados em um hangar do aeroporto de Fernando de Noronha por oito especialistas da Polícia Federal (PF) e da Polícia Civil de Pernambuco.

Em Fernando de Noronha será feita a "catalogação" das roupas e dos objetos pessoais de cada vítima resgatada, serão colhidas as impressões digitais e coletadas amostras de tecidos que possam servir para eventuais comparações genéticas.

Posteriormente, os corpos serão transferidos a Recife em um avião Hercules C-130 da Força Aérea Brasileira (FAB) em um voo de uma hora de duração previsto inicialmente para a noite de hoje ou a manhã de quarta-feira, dependendo das condições meteorológicas.

Este primeiro grupo de cadáveres resgatados foi levado pela fragata "Constituição" até um ponto em alto-mar cerca de 50 quilômetros de Fernando de Noronha, e ali foi transferido a dois helicópteros, um Black Hawk e um Super Puma.

Os restos mortais foram recebidos no aeroporto de Fernando de Noronha por militares, e os sacos plásticos nos quais estavam não deixaram ver o estado em que se encontram os corpos, após terem flutuado no mar por uma semana.

O porta-voz da Força Aérea, tenente-coronel Henry Munhoz, reiterou em Recife que não serão feitas declarações sobre as condições em que estão os corpos resgatados e pediu à imprensa que não faça perguntas a respeito.

Além dos 16 corpos que chegaram hoje a Recife, outros 12 estão a bordo da fragata "Bosísio", após serem retirados do mar pelos cinco navios da Marinha brasileira e pela fragata francesa "Ventose", que participam das buscas.

Munhoz acrescentou hoje que, após transferir os corpos aos dois helicópteros, a fragata "Constituição" voltou ao local do desastre para continuar buscando outros restos humanos e do Airbus A330.

A fragata "Bosísio", cujas câmaras frigoríficas têm capacidade para 20 corpos, segue na zona do desastre e só voltará a Fernando de Noronha quando este espaço estiver completo, segundo os porta-vozes militares.

As Forças Armadas retiraram hoje do mar outros quatro corpos que, segundo Munhoz, "foram achados a nordeste das ilhotas de São Pedro e São Paulo. Mais ou menos nos mesmos lugares em que foram achados os outros cadáveres".

A operação de busca e resgate em metade do Atlântico está concentrada cerca de 440 quilômetros a nordeste de São Pedro e São Paulo, em penhascos desabitados localizados a 1.296 quilômetros de Recife e a 704 quilômetros de Fernando de Noronha, o que torna mais demorada e difícil a transferência de corpos a terra.

O porta-voz da Força Aérea apresentou hoje as fotografias de uma peça metálica retirada do mar que aparentemente é parte de uma das asas do Airbus, mas esclareceu que só a fabricante pode confirmar a que parte do avião corresponde.

Além dos seis navios militares, participam da busca 570 membros da Marinha, 265 da Aeronáutica e 14 aeronaves, 12 delas brasileiras e duas francesas.

As causas do acidente e a busca da caixa-preta devem ficar a cargo das autoridades francesas, que enviaram à região o submarino "Emerade", cuja chegada ao local está prevista para amanhã. EFE cm/db

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