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Começa hoje em Mianmar luto nacional pelas vítimas do ciclone Nargis

Fernando Mullor-Grifol Bangcoc, 20 mai (EFE).- Teve início hoje o luto de três dias em Mianmar (antiga Birmânia) pelas cerca de 134 mil pessoas que morreram ou desapareceram durante a passagem pelo país do ciclone Nargis, enquanto continua a pressão internacional para que o Governo aceite a entrada de mais ajuda humanitária para os afetados.

EFE |

A bandeira birmanesa será hasteada a meio mastro até a próxima quinta-feira nos edifícios governamentais, em sinal de luto pelos 77.738 mortos e 55.917 desaparecidos, segundo dados oficiais preliminares.

O presidente birmanês, o general Than Shwe, se comprometeu hoje a construir escolas para as crianças que ficaram órfãs, sem dizer quantas serão, nem quando vão ser construídas, em discurso retransmitido a toda a nação pela televisão estatal.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o furacão derrubou cerca de três mil colégios e deixou 500 mil crianças sem ter onde estudar quando começarem as aulas, em junho.

O Conselho de Estado para a Paz e o Desenvolvimento (SPDC, na sigla em inglês), como se autodenomina a Junta Militar desde 1997, calculou os danos materiais em US$ 10 bilhões.

No entanto, faltam recursos materiais para atender as necessidades básicas dos desabrigados, que antes da catástrofe sobreviviam quase sem receber atendimento por parte das autoridades do país.

Apesar das limitações e da necessidade da assistência internacional, o regime militar impõe a presença de soldados na distribuição da ajuda e mantém sua rejeição à entrada de voluntários das agências da ONU, dos Estados Unidos e da União Européia (UE).

Até o momento, vem sendo aceito somente pessoal de China, Índia e de países do Sudeste Asiático.

O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha, na sigla em inglês) denunciou hoje que seus profissionais estrangeiros em Mianmar continuam sem livre trânsito, quando 2,4 milhões de pessoas precisam de assistência e apenas 500 mil já receberam algum tipo de ajuda.

Equipes médicas da China e do Laos começaram hoje seus trabalhos, após chegarem na segunda-feira ao aeroporto de Yangun.

A missão chinesa viajou para Mianmar com duas ambulâncias, dois microônibus, remédios e alimentos.

Na foz do rio Irrawaddy, a área mais atingida junto à região de Yangun, era esperado que uma embarcação descarregasse hoje as 159 toneladas de roupas, alimentos, cobertores, barracas, garrafas de água potável, pastilhas purificadoras de água, geradores e outros artigos necessários doados pela comunidade internacional.

Dez caminhões militares da Tailândia saíram hoje de Bangcoc com 100 toneladas de artigos de primeira necessidade que serão entregues amanhã às autoridades birmanesas na passagem fronteiriça de Mae Hong Son, no noroeste tailandês.

O primeiro-ministro birmanês, o general Thein Sein, que quase diariamente aparece na televisão percorrendo localidades da área atingida, se reuniu hoje com o subdiretor de Assuntos Humanitários da ONU, John Holmes, em Yangun, segundo a imprensa estatal.

Holmes, que na véspera visitara acampamentos de deslocados e áreas arrasadas, prepara a viagem a Mianmar do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que deve chegar ao país na próxima quinta-feira.

As relações entre a Junta Militar e a ONU não passam por um bom momento, e foram ainda mais abaladas quando o Governo birmanês nomeou a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) como coordenadora da ajuda humanitária, durante uma reunião do grupo em Cingapura, na última segunda-feira.

No domingo, a ONU e a Asean farão em Yangun uma conferência para discutir as operações humanitárias a serem realizadas em Mianmar.

EFE fmg/ev/gs

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