Começa em Paris polêmico julgamento que envolve Sarkozy e Villepin

Paris, 21 set (EFE).- Com o ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin no banco dos réus e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, como civil na acusação, começou hoje em um tribunal de Paris o julgamento sobre um dos maiores escândalos políticos da história da França.

EFE |

Os juízes tentarão esclarecer por quem e por qual razão foi criada uma lista falsa de personalidades, em que aparecia o próprio Sarkozy, com contas suspeitas no banco luxemburguês Clearstrem, nome com o qual o caso acabou batizado.

A instrução revelou indícios de que o ex-primeiro-ministro estava ciente da existência da dita lista e, segundo a acusação, não fez nada a respeito consciente do dano político que poderia acarretar a seu então adversário para as eleições presidenciais de 2007 e agora presidente.

Diante disso, Villepin passa a figurar entre os cinco acusados no caso por "cumplicidade em denunciação caluniosa, cumplicidade no uso de documentos falsos, ocultação de roubo e ocultação de abuso de confiança".

No entanto, o ex-primeiro-ministro sempre alegou ser inocente e que tudo isso não passava de uma manobra de Sarkozy para desacreditá-lo.

Hoje mesmo, logo após chegar ao tribunal, reiterou que está nessa situação "pela vontade de um homem, pelo rancor de um homem, Nicolas Sarkozy" e se mostrou convencido de que sairá livre e com o nome limpo.

O ex-premiê falou com a imprensa antes de se sentar no banco dos réus junto aos outros quatro acusados: o técnico em informática e financista Imad Lahoud, o ex-vice-presidente da EADS Jean-Louis Gergorin, o jornalista Denis Robert, e o consultor Florian Bourges.

Lahoud é o suposto autor das listas falsas de titulares de contas supostamente procedentes do Clearstream, que receberam comissões ilegais da venda de fragatas da empresa francesa Thompson para Taiwan em 1991.

Foi ele que contatou o vice-presidente da EADS para informá-lo da existência dessas listas de titulares de contas em que, além de Sarkozy, apareciam outras personalidades políticas, empresários, proprietários de meios de comunicação e até a atriz e modelo Laetitia Casta.

As listas chegaram às mãos do consultor Florian Bourges que, por sua vez, as passou ao jornalista Denis Robert, que trabalhava então para o diário "Liberation".

Todos eles, que podem ser condenados a cinco anos de prisão e a pagar uma multa de 375 mil euros, estão convocados a declarar para esclarecer uma trama que veio à tona em 2004 e que vai muito além da inimizade política entre Sarkozy e Villepin, que está previsto que deponha no próximo dia 30.

Essa primeira sessão do processo se centra na apresentação dos acusados, na leitura das acusações e na colocação de eventuais irregularidades de procedimento por advogados das partes.

A defesa de Villepin já anunciou a intenção de rejeitar Sarkozy como acusação civil, alegando que pelo fato de ser o chefe de Estado poderia influir na decisão dos juízes e, sobretudo, na da Promotoria.

Hoje acontece a primeira sessão de um julgamento que está previsto que termine em 23 de outubro e que ocorre na mesma sala do tribunal de Paris em que Maria Antonieta foi condenada à guilhotina.

Além de Villepin, também será testemunha o general do serviço secreto Philippe Rondot, encarregado pelo próprio ex-primeiro-ministro de analisar as listas e que concluiu que eram falsas.

Outra das testemunhas-chave será o juiz encarregado da instrução, Renaud Van Ruymbeke, que recebeu de forma anônima os polêmicos nomes, embora depois Gergorin tenha confessado ter sido o responsável por enviá-los.

À espera da sentença, Sarkozy já deixou claro que não desistirá até que seja esclarecido tudo e chegou a dizer, em privado, que pendurará "com um gancho de açougueiro o bode que montou o escândalo" que buscava tirá-lo da briga pela Presidência da República. EFE pi/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG