Madri, 16 jul (EFE).- Os 550 jovens que participam da 49ª Olimpíada Internacional de Matemática, que acontece em Madri, se enfrentaram hoje na primeira fase da competição, na qual tiveram cinco horas para resolver três problemas de geometria, desigualdades e teoria dos números.

A primeira jornada da olimpíada, realizada na Universidade Politécnica de Madri, contou com a participação de seis estudantes brasileiros e distribuiu satisfação entre aqueles capazes de responder às três questões e decepção entre os que as deixaram "em branco".

Providos apenas de papel, lápis e réguas, os estudantes do ensino médio de cem países iniciaram hoje as provas, redigidas em vários idiomas.

Durante o exame, havia água e comida na sala de aula para os alunos, que foram acompanhados por vigilantes.

Ao longo da primeira meia hora, eles puderam tirar dúvidas sobre o enunciado dos problemas, consultadas pela internet ao júri internacional, formado pelos chefes de equipe de todos os países.

Um comitê internacional elegeu os problemas que seriam resolvidos entre todos os propostos pelos países participantes.

Ao término da prova, os seis estudantes procedentes da China asseguraram que foram capazes de responder todas as questões e que não tiveram dificuldade, segundo disse à Agência Efe seu acompanhante, Tao.

Já dois dos seis espanhóis participantes, Juan José Madrigal, de 17 anos, e Diego Izquierdo, de 18, reconheceram que não conseguiram responder a terceira.

O enunciado desse problema pedia para demonstrar que existem infinitos números inteiros positivos n, tais que n ao quadrado mais 1 tem um divisor primo maior que 2n mais a raiz quadrada de 2n.

"Realmente eram difíceis; o primeiro eu fiz, no segundo coloquei bastantes coisas... e no terceiro, nada!", confessou Izquierdo, que pensa que, para este tipo de problemas, são necessários 10% de conhecimento e 90% de lógica e raciocínio.

O argentino Alan Givré, de 16 anos, foi outro que não conseguiu resolver a terceira questão, que ficou "em branco", apesar de estar treinando há um mês, segundo disse.

Os espanhóis, que pensam em seguir a carreira de Matemática, assistiram durante dez dias a um curso intensivo preparatório em Barcelona de oito horas diárias.

Já os selecionados da China dedicaram três anos à preparação para a olimpíada, algo que também ocorria na antiga União Soviética, segundo disse à Efe o porta-voz da Real Sociedad Matemática Española (RSME), Adolfo Quirós.

O matemático espanhol rejeitou este método como forma de melhorar a posição histórica da Espanha nesta competição, a qual qualificou "de classe média-baixa".

Em relação aos problemas de hoje, Quirós explicou que o primeiro foi de geometria, o segundo de desigualdades e o terceiro de teoria dos números, que aparentava ser mais difícil, apesar de todos valerem sete pontos.

O porta-voz da RSME explicou que a resolução destes problemas costuma requerer mais criatividade, engenho e habilidade matemática que conhecimentos e fórmulas aplicadas.

"Os estudantes são muito prontos, não sabemos se superdotados, embora não sejam 'computadores humanos'", disse.

Eles costumam ter a capacidade de detectar a estrutura profunda das coisas, estabelecer analogias e aplicar a lógica como chave da resolução.

Pelo contrário, ele encorajou para que mais e mais jovens participem dos concursos nacionais, como a que é realizada no meio do segundo semestre na Universidad Complutense de Madri.

Quirós pediu facilidades administrativas, já que os espanhóis tiveram que participar de seleções às vésperas da olimpíada, co-organizada pelo Ministério de Educação espanhol.

Amanhã, os estudantes enfrentarão três novos desafios e os resultados serão divulgados no próximo domingo.

Os vencedores provavelmente terão abertas as portas das melhores universidades do mundo.

Alguns prêmios Fields, considerado o Nobel da Matemática, já ganharam esta Olimpíada. EFE lca/ab/db

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