Começa em Cochabamba processo de diálogo para superar crise na Bolívia

Cochabamba (Bolívia), 18 set (EFE).- O processo de diálogo na Bolívia entre o presidente Evo Morales e os governadores da oposição começou hoje em Cochabamba (centro) com o propósito de superar a grave crise vivida pelo país.

EFE |

Por volta das 8h (9h, horário de Brasília), Morales e os governadores de Santa Cruz, Beni, Tarija e Chuquisaca já se encontravam no Centro de Convenções Manantial, em Chuquisaca.

Juntamente com o governador de Pando, Leopoldo Fernández, detido em La Paz por desobediência ao estado de sítio decretado em seu departamento após os choques violentos que deixaram 15 mortos e mais de 100 feridos, estes governadores formam o Conselho Nacional Democrático (Conalde).

Também participam do encontro os governadores de Oruro e Potosí, além dos interinos dos departamentos de Cochabamba e La Paz.

No início da reunião estavam presentes vários ministros do Governo Morales, representantes do Congresso Nacional boliviano e membros da Igreja Católica, que será uma das instituições que atuarão como "testemunha e facilitadora" do diálogo.

Ao longo do dia, deve chegar o restante dos observadores internacionais da negociação, entre eles o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, e o delegado da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

A União Européia (UE), embaixadores de países vizinhos, a ONU e representantes das igrejas protestantes são outros dos "facilitadores" convidados ao diálogo.

Ao chegar ao centro de convenções, o governador de Santa Cruz, Rubén Costas - um dos mais duros opositores a Morales -, expressou à imprensa sua esperança de conseguir o melhor acordo nacional para todos os bolivianos, pois os cidadãos querem "certezas".

Além disso, a também opositora governadora de Chuquisaca, Savina Cuéllar, confirmou aos jornalistas que proporá na reunião que a cidade de Sucre volte a se tornar capital plena da Bolívia, assunto que inicialmente não está no plano de trabalho estipulado pelas partes.

Sucre, capital histórica da Bolívia, reivindica a sede dos três poderes. Atualmente, abriga apenas o Judiciário, enquanto o Executivo e o Legislativo estão em La Paz.

O diálogo aberto em Cochabamba será articulado em torno de três mesas de trabalho, dirigidas por ministros do Gabinete de Morales, sobre os principais temas de confronto entre Governo e oposição.

Assim, o ministro do Desenvolvimento Rural boliviano, Carlos Romero, dirigirá a mesa para debater compatibilização da nova Constituição patrocinada por Morales e os estatutos autônomos de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija.

Outra mesa discutirá a entrega da receita petrolíferas procedente do Imposto Direto sobre Hidrocarbonetos (IDH), cujo a interrupção de entrega aos departamentos pelo Governo central gerou o conflito que tem castigado a Bolívia nas últimas semanas.

Este grupo será moderado pelo ministro da Fazenda boliviano, Luis Arce.

A terceira comissão tratará da "institucionalização" e tentará conseguir acordos para ocupar as vagas deixadas por magistrados no Tribunal Constitucional e na Corte Suprema de Justiça. Esta mesa será facilitada pelo ministro de Defesa Legal das Recuperações Estatais boliviano, Héctor Arce.

O líder dos senadores do Movimento ao Socialismo (MAS, partido de Morales) explicou aos jornalistas que os atores do diálogo trabalharão de forma intensiva e não abandonarão o fórum até chegarem a um "pacto de reconciliação". EFE ja/wr/fal

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