Começa diálogo de pacificação entre governo e oposição na Bolívia

O governo boliviano e a oposição iniciaram na manhã desta quinta-feira um diálogo a portas fechadas destinado a pacificar o país, na presença de observadores internacionais da Organização do Estados Americanos (OEA), Organização das Nações Unidas (ONU) e União de Nações Sul-Americanas(Unasul).

Redação com agências internacionais |

As negociações encabeçadas pelo presidente boliviano Evo Morales começaram sem discursos ou cerimônias, em meio a fortes medidas de segurança na cidade de Cochabamba, na região central do país.

Por volta das 8h (9h, horário de Brasília), Morales e os governadores de Santa Cruz, Beni, Tarija e Chuquisaca já se encontravam no Centro de Convenções Manantial, em Chuquisaca. Também participam do encontro os governadores de Oruro e Potosí, além dos interinos dos departamentos de Cochabamba e La Paz.


Governadores de oposição se reunem com Morales / AP

Na última terça-feira, os governadores da oposição boliviana assinaram um documento que será base para as discussões de um "acordo nacional" com o governo central e que pode colocar fim à crise política que se intensificou no país na última semana.

A agenda de negociações entre as partes deve contemplar a discussão sobre a restituição para os Departamentos do IDH (Imposto Direto de Hidrocarbonetos). A autonomia dos Departamentos e a nova Constituição boliviana também estarão na pauta de negociações

Crise na Bolívia

Os departamentos bolivianos de Tarija, Santa Cruz, Beni, Pando e Chuquisaca (que juntos foram a região conhecida como "Meia Lua") pleiteiam maior autonomia e têm sido palco há meses de protestos contra Morales.

A oposição quer que o presidente Evo Morales volte atrás em sua decisão de cortar os repasses para Estados mais pobres do dinheiro obtido com impostos sobre gás e petróleo. O presidente diz estar usando o dinheiro para custear uma pensão para os idosos do país.

Os Estados de oposição, os mais ricos da Bolívia, argumentam que são responsáveis pela produção da maior parte das commodities que geram o imposto e, por isso, deveriam ser mais beneficiados por eles, para que possam investir na melhoria da condição de vida de suas populações.

Os protestos também são contra a nova Constituição, cujo texto foi aprovado no fim do ano passado sem o apoio da oposição.

O texto da Carta Magna dá mais poder aos indígenas bolivianos - que representam 60% da população do país, de acordo com o último censo - e confirma a nacionalização dos recursos naturais.

Segundo o analista da BBC James Painter, a Constituição ameaça os negócios e as elites agrárias do departamento de Santa Cruz - onde vive 25% da população boliviana. As propostas para limitar as posses de terra e promover a reforma agrária provocaram fortes reações dos latifundiários locais.

Para que entre em vigor, o texto ainda precisa ser aprovado em um referendo, que foi convocado por Evo Morales para dezembro.


Mapa político da Bolívia

*Com AFP BBC Brasil e Reuters

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