Começa campanha para o 2º turno no Afeganistão

A campanha para o segundo turno das eleições presidenciais no Afeganistão está começando oficialmente. O atual presidente, Hamid Karzai, vai enfrentar seu oponente, Abdullah Abdullah, em duas semanas.

BBC Brasil |

A realização do segundo turno foi anunciada depois que as autoridades eleitorais decidiram que casos de fraude na votação durante o primeiro turno, em agosto, inflaram os resultados de ambos os candidatos.

O candidato da oposição, Abdullah Abdullah, ameaçou abandonar as eleições caso não haja substituição de funcionários da Comissão Eleitoral Independente, indicados pelo governo. Ele pede que eles sejam substituídos por pessoas aceitas tanto por ele como por Karzai.

Abdullah, que é ex-ministro do Exterior, já acusou a comissão de não ser imparcial.

'Irregularidades'
Apesar de toda a polêmica envolvendo o pleito no Afeganistão, o enviado especial dos Estados Unidos ao país diz que há motivos para se esperar que haja menos irregularidades no segundo turno que na votação de agosto.

"É razoável esperar que haja menos irregularidades desta vez por vários motivos. Primeiro, porque há apenas dois candidatos. Segundo, porque há o fator da experiência. Terceiro, a comunidade internacional vai fazer todo o possível para fazer disso um sucesso", disse Richard Holbrooke à imprensa.

Kai Eide, chefe da missão das Nações Unidas no país, admite que é impossível eliminar a fraude, mas que também espera que a quantidade de problemas se reduza.

Polêmica
A Comissão Eleitoral Independente diz estar demitindo milhares de funcionários que trabalharam no primeiro turno, além de diminuir a quantidade de seções eleitorais, mas correspondentes dizem que ainda há muitas divergências sobre a realização do segundo turno.

Enquanto diplomatas acreditam que a nova votação vai melhorar o clima no Afeganistão, depois de um primeiro turno marcado pela fraude, muitos afegãos comuns não conseguem ver utilidade na realização do segundo turno, já que sentem que os políticos não são capazes de fazer diferença alguma em suas vidas diárias.

Outros temem as consequências de ir às urnas, especialmente depois que alguns tiveram os dedos marcados de tinta cortados por militantes do Talebã em agosto.

Entre os políticos, também há divergências. Alguns veem as eleições como necessárias, outros acham que ela foi uma imposição do Ocidente.

Mesmo com tantas dúvidas em torno da votação, cédulas e urnas já estão sendo enviadas de avião às diversas províncias, enquanto caminhões, helicópteros e mulas estão preparados para levá-las a seus destinos finais.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG