Começa batalha contra epidemias após terremoto na China

Uma nova batalha começou para prevenir riscos de epidemias entre os cerca de 5 milhões de refugiados do terremoto que atingiu a China na segunda-feira, que causou oficialmente 28.881 mortes, enquanto seguiam neste sábado os resgates dos sobreviventes sob os escombros.

AFP |

Cinco dias depois da catástrofe na província de Sichuán, um turista alemão foi encontrado vivo sob os escombros de uma casa. Até agora, o número oficial de feridos é de 198.347 pessoas.

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Mulher chora nos escombros da escola onde sua filha estava


Na cidade de Deyang, com 3,8 milhões de habitantes, responsáveis locais estimaram que o número de mortos poderá subir para 20.000.

A imprensa chinesa continua mantendo a esperança de encontrar sobreviventes, que têm suas chances de vida diminuídas a cada hora.

Segundo as autoridades da província de Sichuán, com uma área três vezes maior que a Bélgica, cerca de 14.000 pessoas continuam presas sob as ruínas provocadas pelo terremoto de 7,9 na escala Richter.

O exército mobilizou 130.000 homens para organizar os resgates, desbloquear estradas e lançar pelo ar água e comida nos locais de difícil acesso.

Especialistas japoneses, russos, sul-coreanos e de Cingapura participam também da busca, com cães farejadores.

Apesar dos esforços continuarem, as autoridades começam a se preocupar com os riscos crescentes de epidemia que ameaçam os sobreviventes, principalmente após a destruição das redes de distribuição de água potável.

"É necessário prioritariamente dar abrigo aos refugiados e lhes dar água potável para impedir epidemias", declarou neste sábado Feng Zijian, diretor do Centro de controle e de prevenção das epidemias da China, no site China.com.

"É necessário enterrar os cadáveres, pois a capacidade de cremação não é suficiente", acrescentou.

Após as fortes chuvas que caíram depois do tremor, o sol reapareceu e o ar carregado de umidade acelerou a decomposição dos corpos.

Nas ruas de Shifang, cidade próxima do epicentro, soldados, policiais e socorristas usavam máscaras, para evitar o cheiro dos corpos e se proteger das doenças.

As autoridades distribuíram folhetos com instruções para prevenir os riscos de doenças, aconselhando em especial ferver a água.

Contudo, o especialista da Organização Mundial da Saúde (OMS) Arturo Pesigan recordou que os riscos de epidemia não são originários apenas dos corpos, mas também da água e da higiene dos centros de refugiados.

"Comida contaminada, falta de água potável e higiene, assim como a falta de instalações sanitárias, aumentam o risco de epidemia", disse Pesigan, responsável técnico do Centro da OMS para a região do Pacífico Oeste.

Por isso, é mais importante concentrar os esforços com os refugiados do que no problema dos corpos, já que o ponto mais arriscado se situa entre 10 dias a um mês depois da catástrofe.

O tremor deixou mais de 4,8 milhões de pessoas sem residência, que foram alojadas em instalações provisórias.

O ministro da Construção, Jiang Weixin, anunciou o envio de 48 aparelhos purificadores de água para as áreas mais afetadas.

Além disso, um vasto esforço de solidariedade se organizou em toda a China, o que permitiu, até agora, a coleta de 300 milhões de euros em doações.

Os fundos de resgate fornecidos pelo governo são também de cerca de 300 milhões de euros.

Novos tremores

Novos tremores secundários foram registrados nesta sexta-feira na China, próximo do epicentro do terremoto de 7,8 graus ocorrido na segunda-feira. O mais recente tremor de terra causou deslizamentos, que soterraram veículos e perturbaram os trabalhos de resgate, informou a agência de notícias estatal Xinhua.

Até a madrugada desta sexta-feira, a região de Sichuan já sofreu pelo menos 122 tremores secundários que atingiram mais de quatro graus, sendo que um deles marcou 5,9 na escala Richter.

Os prejuízos estimados no desastre já passam de US$ 20 bilhões. Até agora, mais de 22 mil mortes foram confirmadas, mas acredita-se que o número pode chegar a 50 mil.

O presidente chinês, Hu Jintao, visitou nesta sexta-feira o vilarejo de Mianyang, no condado de Wenchuan. A área é a mais atingida pelo terremoto, que é considerado "a pior catástrofe natural" da China.

(*Com informações da agência AFP e da BBC Brasil)

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