Washington, 17 abr (EFE) - Um tribunal dos Estados Unidos começou nesta quinta-feira a ouvir os argumentos dos advogados das 416 crianças que foram resgatadas de uma seita poligâmica no Texas, em uma complexa audiência sobre um dos maiores casos de custódia na história do país.

A juíza encarregada do caso, Barbara Walther, terá a difícil tarefa de decidir o futuro desses menores, que estão sob custódia do Estado desde 4 de abril, quando as autoridades texanas fizeram uma operação no rancho da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em Eldorado.

No total, 350 advogados defendem as crianças e os pais, e muitos destes profissionais se colocaram voluntariamente a serviço dos menores.

O Serviço de Proteção ao Menor terá que opinar se as crianças devem ser devolvidas ao rancho ou permanecerem de maneira definitiva sob custódia do Estado, que atuou diante do temor de que pudessem estar sofrendo abusos sexuais.

Quando a audiência teve início, a sala do tribunal estava abarrotada de advogados e de membros da seita.

Dada a expectativa sobre o caso, o tribunal habilitou outra sala em um prédio adjunto, onde os advogados podem continuar fazendo seus protestos a portas fechadas.

Após a invasão do rancho, as crianças, com idades entre seis meses e 17 anos, foram levadas a centros de amparo onde inicialmente estiveram acompanhados por mais de 130 mulheres que deixaram o rancho voluntariamente.

O Serviço de Proteção ao Menor teve problemas para encontrar um local adequado para acolher as crianças, e por isso eles foram sendo transferidos para vários outros lugares.

Há três dias, a grande maioria das mães teve que abandonar os improvisados centros de amparo e somente aquelas com filhos menores de cinco anos puderam ficar.

Muitas mulheres que voltaram ao rancho iniciaram uma intensa luta nos veículos de comunicação para exigir que o Estado devolvam a elas a guarda de seus filhos, e insistiram em que as acusações contra a seita poligâmica por abuso sexual são falsas.

O caso despertou um grande interesse midiático, o que gerou uma presença diária de membros da seita, advogados e especialistas na televisão. EFE cae/mac/db

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