Esforços excepcionais foram empreendidos nesta quarta-feira no Atlântico para encontrar as caixas-pretas do Airbus A330 da Air France, após dez dias dedicados à recuperação dos destroços do avião e dos corpos das 228 vítimas do voo AF 447 Rio-Paris, que devem ser identificados em Recife.

Um submarino nuclear francês, o Emeraude, "iniciou suas operações de busca", declarou o capitão Christophe Prazuck, porta-voz do Exército da França.

A localização e a recuperação das caixas-pretas são complicadas nesta zona onde a profundidade do mar pode atingir 5.000 metros, mas são cruciais para tentar explicar os motivos da catástrofe, num momento em que a pista privilegiada é uma falha das sondas Pitot, que medem a velocidade do aparelho.

Quarenta e um corpos foram resgatados até agora pelas marinhas brasileira e francesa. Nenhum novo corpo ou destroço importante foi recuperado desde a noite de terça-feira, informou um porta-voz militar numa entrevista coletiva em Recife.

Dos 41 corpos, 16 foram transportados na tarde desta quarta-feira de Fernando de Noronha a Recife para a identificação formal, declarou o brigadeiro Ramon Cardoso. Análises de DNA serão efetuadas.

Uma frota de seis navios, entre os quais a fragata francesa Ventôse, 12 aviões e helicópteros brasileiros e dois aviões franceses está trabalhando desde o dia 1 de junho, quando aconteceu o acidente, na recuperação dos corpos e dos destroços do Airbus.

Cardoso destacou que a área de buscas, a 1.150 km de Recife, foi deslocada a 200 km no mar, a 1.350 km do litoral brasileiro, devido às correntes marítimas.

Para ajudar nas operações de busca, a França enviou o Emeraude, que já se encontra no local, além do navio anfíbio Mistral e dois rebocadores de serviço em alto mar, que devem chegar nos próximos dias. O navio de pesquisas oceanográficas Pourquoi Pas também deve chegar muito em breve à área, com seus três robôs submarinos que serão encarregados de recuperar as caixas-pretas, se forem localizadas.

O Pentágono enviou dois instrumentos capazes de detectar os sinais emitidos pelas caixas-pretas em uma profundidade de até 6.100 metros.

Apesar de todos os meios disponibilizados, "precisaremos de muita sorte" para encontrar as caixas-pretas, já que "não temos a posição exata da queda do avião", advertira sexta-feira o exército francês.

Segundo o porta-voz do estado-maior francês, o submarino nuclear, com 72 pessoas a bordo, "vai começar vasculhando uma primeira área de buscas de 20 x 20 milhas náuticas (36 x 36 km), que deverá cobrir em um dia".

O Emeraude é especializado na detecção submarina graças a seus sensores ultrasensíveis.

Na espera das informações contidas nas caixas-pretas, a investigação se focalizou nas falhas das sondas Pitot, mesmo que elas não possam, segundo especialistas, ter provocado sozinhas a queda do A330 da Air France.

Sob pressão dos pilotos, alguns dos quais ameaçaram entrar em greve, a Air France anunciou a substituição nos próximos dias de todos os Pitot de seus Airbus A330.

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