Comboio do primeiro-ministro paquistanês é alvo de ataque

O carro blindado do primeiro-ministro paquistanês, Yusuf Raza Gilani, foi alvo de tiros em meio a um comboio, nesta quarta-feira, na periferia de Islamabad, a três dias da eleição do novo presidente no Parlamento.

AFP |

O porta-voz do primeiro-ministro, Zahid Bashir, que primeiro disse que Gilani estava no carro, falou em "tentativa de assassinato", mas o governo admitiu pouco tempo depois que o premier não estava no comboio que, na verdade, seguia para buscá-lo no aeroporto.

Os canais de televisão locais mostraram repetidas vezes as imagens de dois impactos de balas na janela blindada do lado do motorista, mas os projéteis não atravessaram a blindagem.

O incidente aconteceu em Rawalpindi, bairro popular da periferia de Islamabad.

"Foram dois tiroteios contra o comboio do primeiro-ministro, duas balas no vidro do carro blindado onde ele estava", disse mais cedo à AFP o porta-voz Zahid Bashir. "Graças a Alá, o primeiro-ministro saiu são e salvo", acrescentou.

Mas três altos funcionários da polícia e um membro do governo afirmaram pouco depois que o comboio seguia para o aeroporto militar de Rawalpindi para buscar Gilani e que ele então não estava no carro atingido, assim como nenhum outro membro de sua equipe.

"O primeiro-ministro e sua equipe não estavam dentro do carro", indicou o secretário do ministério do Interior, Kamal Shah.

"O primeiro-ministro sempre anda em carro blindado e os primeiros elementos da investigação indicam que as balas eram de calibre 7,62 mm e que elas não poderiam, em caso algum, atravessar o vidro blindado", explicou à AFP um alto comandante da polícia, muito próximo à investigação do caso.

Dentro de três dias, o Parlamento e as Assembléias das províncias vão eleger o presidente paquistanês, após a renúncia no dia 18 de agosto de Pervez Musharraf.

Asif Ali Zardari, líder do Partido do Povo Paquistanês (PPP), principal partido da frágil coalizão no poder desde as legislativas de fevereiro e viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada no fim de 2007, é considerado o vencedor virtual.

O país está em pleno caos e enfrenta uma onda de atentados suicidas sem precedentes, cometidos por islamitas próximos à Al-Qaeda, que matou cerca de 1.200 pessoas em pouco mais de um ano.

O governo da coalizão dirigido desde o fim de março por Gilani, 58 anos, saído do PPP, não esteve até hoje em condições reais de dirigir com eficácia o país, enfraquecido pelas disputas internas recorrentes entre a maioria.

Gilani foi nomeado primeiro-ministro de surpresa no fim de março, pouco mais de dois meses após as legislativas que deram vitória aos partidos da antiga oposição a Musharraf, porque estes últimos não conseguiram chegar a um acordo sobre um nome.

"O primeiro-ministro está dando continuidade a seu trabalho e participará de todas as reuniões. Ele nem fala deste incidente", declarou ao canal de televisão estatal a ministra da Informação, Sherry Rehman, reconhecendo que "o ocorrido é importante neste momento crítico".

"Isto não parece em nada com um ataque de islamitas, que são muito mais profissionais e recorrem essencialmente a homens-bomba", comentou para a AFP um alto responsável próximo à investigação. "Isto não parece ter sido o trabalho de profissional, é muito estranho", afirmou.

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