Comboio da ONU chega a regiões de conflito no Congo

Um comboio das Nações Unidas conseguiu entrar nesta segunda-feira no território controlado por rebeldes na República Democrática do Congo levando ajuda humanitária para alguns dos 250 mil deslocados. Esta é a primeira missão humanitária a alcançar as áreas comandadas pelo general rebelde Laurent Nkunda em uma semana.

BBC Brasil |

O correspondente da BBC Peter Greste viajou com o comboio de 12 veículos da ONU, que partiu de Goma, no leste do país, e atravessou o território ocupado pelos rebeldes para chegar até Rutshuru, no nordeste.

Greste disse que campos que abrigavam dezenas de milhares de refugiados estão virtualmente vazios e autoridades locais não sabem o paradeiro destas pessoas nem como elas estariam sobrevivendo.

Sem comida e água, muitos deles estariam deixando os campos de refugiados e voltando para suas casas a pé.

O comboio da ONU chegou a Rutshuru levando medicamentos e tabletes purificadores de água.

O programa para a Alimentação da ONU espera enviar novos caminhões com comida.

Trégua frágil
A região de Rutshuru está relativamente calma, mas há relatos de que combates tenham ocorrido na região na noite de domingo, expondo a fragilidade do cessar-fogo anunciado por Nkunda.

O líder rebelde ameaçou depor o governo do poder, a menos que o presidente Joseph Kabila negocie diretamente com ele. O governo rejeitou o pedido.

No fim de semana, os ministros do exterior britânico, David Miliband, e francês, Bernard Kouchner, se encontraram em reuniões separadas com Kabila e com o presidente da Ruanda, Paul Kagame, para discutir uma saída para a crise.

O governo congolês acusa Ruanda de apoiar os rebeldes liderados por Nkunda, mas os dois presidentes concordaram em participar de uma cúpula regional em Ruanda dentro de algumas semanas.

Nkunda alega que está protegendo seu povo tutsi da agressão de hutus que teriam participado do massacre de Ruanda, em 1994, e estariam baseados no leste da República Democrática do Congo.

A França e a Grã-Bretanha pediram a total implementação dos acordos de paz bilaterais, além do desarmamento da milícia.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse que a comunidade internacional "não pode permitir que o Congo vire uma nova Ruanda", onde 800 mil pessoas foram mortas no genocídio há quase 15 anos.

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