Comboio com ajuda humanitária é enviado para área ocupada por rebeldes na RDC

A ONU enviou hoje o primeiro comboio com ajuda humanitária em mais de uma semana para os cerca de 200 mil deslocados na área ocupada nos últimos dias pelos rebeldes tutsis do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) no leste da República Democrática do Congo (RDC).

EFE |

O comboio, escoltado por soldados da Missão da ONU na RDC (Monuc), partiu de Goma, capital da província congolesa de Kivu Norte, rumo a Rutshuru, aproximadamente 90 quilômetros ao norte na mesma província, área controlada pelo CNDP há dez dias, diz o Escritório de Coordenação de Ajuda Humanitária da ONU (Ocha).

Gloria Fernández, responsável da Ocha na RDC, afirmou que o comboio, ao qual tanto os rebeldes quanto as tropas governamentais garantiram a passagem, leva remédios e material de saúde para os deslocados.

Há dez dias, os rebeldes ocuparam a área de Rutshuru e avançaram em direção ao sul, até chegarem às imediações de Goma e se situarem a sete quilômetros da cidade, antes de declararem na última quarta um cessar-fogo que ainda é mantido.


Soldados das Nações Unidas escoltam o comboio da ajuda humanitária / AP

Desde então, os deslocados no norte da província não receberam ajuda e a Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) disse há dias que milhares deles podem ter sido desalojados de vários acampamentos pelos rebeldes, que depois os queimaram.

Ontem, ao final de uma viagem por RDC, Ruanda e Tanzânia para buscar soluções ao conflito no leste da RDC, os ministros de Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, e o britânico, David Miliband, pediram ajuda humanitária "urgente" para a região, mas não reivindicaram uma força européia para colaborar com a Monuc.

"As necessidades humanitárias imediatas são evidentes (...) As urgências nas áreas de alimentação, água, moradia e cuidados médicos devem ser cobertas graças à mobilização internacional", disseram os dois ministros em representação da UE.

Na conflituosa região de Kivu Norte, que tem aproximadamente seis milhões de habitantes, há por volta de 1,2 milhão de deslocados pela violência, enquanto na RDC organizações internacionais calculam que cerca de 5,5 milhões de pessoas morreram por este motivo desde 1998, o que representa mais ou menos 45 mil por mês.

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