Tropas israelenses entraram em confronto com militantes palestinos no final da noite desta segunda-feira nos subúrbios da Cidade de Gaza, em um aprofundamento da ofensiva terrestre que já dura três dias. Os combates teriam acontecido no distrito de Shujaiya, na Cidade de Gaza.

  • O Hamas e Jihad Islâmica afirmaram que seus militantes enfrentaram os soldados israelenses com metralhadoras e lançadores de foguetes.

    Citando fontes do Exército, o jornal israelense Haaretz afirmou que os soldados foram atacados por morteiros.

    Habitantes da cidade contaram ter ouvido fortes explosões e trocas de tiros. Informações dão conta de que os israelenses usaram artilharia e ataques com helicópteros para responder aos militantes palestinos.

    Em outra área de combates, tanques israelenses teriam entrado no campo de refugiados de Bureji, no centro de Gaza.

    As informações sobre os acontecimentos em Gaza são limitadas pela proibição, por parte de Israel, de que jornalistas estrangeiros entrem na região.

    Estima-se que até agora cerca de 500 palestinos tenham sido mortos nos dez dias de conflitos na região e outros 2.500 teriam sido feridos.

    Autoridades médicas palestinas afirmam que pelo menos 90 pessoas morreram desde o início dos ataques terrestres, no ultimo sábado.

    Por outro lado Israel afirma que quatro soldados e quatro civis morreram nos dez dias de ofensiva.

    Rejeitando os apelos internacionais por um cessar-fogo, o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak afirmou nesta segunda-feira que as operações em Gaza continuarão até que o Hamas seja derrotado.

    "Ainda não atingimos nossos objetivos", disse ele a parlamentares israelenses.

    Barak afirmou ainda que o grupo militante palestino Hamas sofreu um "duro golpe" desde que os ataques a Gaza começaram, há dez dias.

    Fogo-amigo

    Ainda na noite desta segunda-feira um porta-voz do Exército israelense afirmou que três soldados da brigada de elite Golani foram mortos acidentalmente por um projétil lançado por um blindado israelense. Três outros soldados teriam tido ferimentos graves e outros 20 sofreram ferimentos leves.

    O projétil teria atingido uma "estrutura" onde os soldados estavam, segundo o porta-voz.

    Diplomacia

    Até agora, os esforços diplomáticos para colocar um fim à crise na Faixa de Gaza têm sido infrutíferos.

    Em visita oficial ao Oriente Médio, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, deve chegar nesta terça-feira a Damasco, na Síria, junto com uma delegação da União Européia, em uma tentativa de convencer o governo sírio a usar sua influência sobre o Hamas para que o grupo palestino aceite um plano de cessar-fogo.

    Nesta segunda-feira, Sarkozy manteve conversações com líderes israelenses e palestinos.

    Ele acusou o Hamas de agir de forma "irresponsável e imperdoável" ao lançar foguetes contra Israel e pediu ao governo israelense que interrompa a violência para permitir a entrada de ajuda na região.

    O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, deve participar de um encontro do Conselho de Segurança da ONU nesta terça-feira para pressionar por uma ação do órgão na região.

    Nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, conversou por telefone com a chanceler israelense, Tzipi Livni, e reiterou a posição do governo brasileiro sobre a necessidade de um cessar-fogo rápido.

    Crise humana

    Enquanto a ofensiva continua, as condições de vida da população de Gaza estão se deteriorando cada vez mais, com os suprimentos de comida, água e trigo escasseando.

    O norueguês Mads Gilbert, um dos dois médicos estrangeiros que trabalham no maior hospital de Gaza, o Al-Shifa, afirmou que as salas de operação estão cheias e que muitas pessoas estão morrendo por causa da falta de recursos.

    Israel afirma que os civis não são alvos dos ataques, mas Gilbert diz ter visto apenas dois militantes em meio a centenas de mortos.

    A Organização das Nações Unidas afirma que cerca de 1 milhão de pessoas na região sofre com a falta de energia elétrica e que muitos podem sofrer com a fome nos próximos dias.

    Dominic Nutt, da agência humanitária Save the Children, disse à BBC que as condições na região estão se deteriorando rapidamente.

    "Eles não têm água a maior parte do dia, não há eletricidade, eles estão com muito frio. As janelas têm que ficar abertas para evitar que se quebrem com os bombardeios", diz.

    "Crianças estão sofrendo risco de hipotermia, elas estão subnutridas, não há comida o suficiente. A situação está ficando desesperadora".

    Centenas de palestinos estão deixando suas casas, apesar dos perigos de se movimentar no território.

    Israel afirmou ter permitido a entrada de 80 caminhões contendo comida e remédios através da fronteira de Gaza com o Egito.

    Nahum Sirotsky, colunista do iG, comenta a situação em Gaza; veja o vídeo:


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