Combates são retomados no norte do Líbano

Intensos combates eclodiram de novo nas ruas da cidade de Trípoli, no norte do Líbano, entre governistas e opositores, segundo autoridades. Os combates no norte se seguem a uma noite de intensa violência em redutos drusos nas montanhas perto de Beirute.

BBC Brasil |

Durante a noite, pelo menos 13 pessoas foram mortas em confrontos entre integrantes do Hezbollah e militantes do Partido Socialista Progressista (PSP), liderado pelo druso governista Walid Jumblatt.

A situação se acalmou nas montanhas de Chouf pela manhã desta segunda-feira, depois que o Exército libanês enviou um grande contingente de tropas para a região, ao sudeste da capital Beirute.

O Exército enviou veículos blindados e centenas de tropas para garantir a segurança da população civil e negociar uma trégua.

Segundo relatos da imprensa local, os partidários de Jumblatt recusam-se a entregar as armas para o Exército, mas no momento há uma trégua temporária.

O Líbano passa pelo pior momento de violência sectária desde o fim da guerra civil, nos anos 90. Na semana passada, militantes do Hezbollah entraram em choque contra forças pró-governo em Beirute.

Sessenta mortos
A Cruz Vermelha libanesa disse que 12 corpos foram removidos da região, e 26 pessoas ficaram feridas.

A onda de violência, que já dura seis dias, deixou ao menos 60 mortos e 164 feridos.

Em Beirute, apesar da intensa presença do Exército, houve um intenso tiroteio entre milicianos do partido Al-Mustaqbal, do líder sunita Saad Hariri, e oposicionistas.

O tiroteio deixou dois cinegrafistas da emissora Al-Jazeera levemente feridos quando o carro em que estavam foi atingido pro tiros de fuzil.

Não se sabe qual lado atirou nos jornalistas, que foram levados ao hospital da Universidade Americana de Beirute.

Monte Líbano
Na tarde de domingo, houve combates entre os partidários de Jumblatt e o grupo xiita Hezbollah na região do Monte Líbano.

Várias cidades registram confrontos, entre elas Aley, Shweifat, Barsoun, Aitat, Keyfoun e Kmatyeh. Todas ficam na região montanhosa habitada pela comunidade drusa.

Jumblatt, que foi acusado pelo Hezbollah de traição, pediu ao líder druso rival Tarslan Arslan, aliado do Hezbollah, que intermediasse o fim dos confrontos.

O Hezbollah exigiu que todos os escritórios do partido de Jumblatt no Monte Líbano e na região de Hasbaya, outro reduto druso no sul do Vale do Bekaa, sejam entregues à oposição.

Depois de várias horas de confrontos, o Exército interveio e um cessar-fogo foi anunciado.

Os militares levaram ainda várias horas até conseguir que os dois lados cessassem as hostilidades e permitissem o posicionamento de tropas do Exército.

A fronteira leste do Líbano com a Síria também permanece bloqueada. Apenas as estradas que levam às fronteiras do norte do país estão abertas.

Mesmo assim, milhares de libaneses estão se refugiando no país vizinho para fugir da violência.

Trípoli
Na segunda cidade mais importante do Líbano, Trípoli, no norte do país, também foram registrados confrontos, que começaram na noite deste sábado e se estenderam pelo domingo.

Simpatizantes do Hezbollah e partidários do governo se enfrentaram nas ruas de Trípoli, munidos de metralhadoras e granadas.

Milhares de pessoas fugiram de suas casas, e três pessoas foram mortas na cidade no sábado.

Durante a tarde, o Exército libanês ocupou a cidade para restaurar a segurança. Informes dão conta de que a situação permanece tensa, mas não há registro de confrontos até o momento.

Medidas revogadas
Na quarta-feira, a Liga Árabe enviará uma delegação para o Líbano para tentar intermediar um fim dos conflitos que atingem o país há vários dias.

A delegação será liderada pelo ministro do Exterior do Catar, xeque Hamad bin Jassim, e incluirá o secretário-geral da Liga, Amr Moussa, que pretende conversar com todos os lados envolvidos no conflito libanês.

O aeroporto internacional da capital continua fechado, pois as estradas de acesso continuam bloqueadas pela oposição.

No sábado, o Exército libanês revogou duas medidas contra o Hezbollah que geraram a onda de violência que culminou com a tomada de poder de todo o oeste da capital pelo grupo xiita.

O chefe de segurança do aeroporto, que foi demitido por ter ligações com o grupo, foi restituído ao posto, e o Exército afirmou que lidaria com a questão da rede de comunicações do Hezbollah - que tinha sido declarada ilegal pelo governo libanês.

As tensões continuam altas no Líbano, e a trégua obtida no sábado pelo comando militar é frágil, segundo analistas no país.

De acordo com eles, novos confrontos podem explodir em Beirute e em outras cidades.

O Líbano vive uma crise política há mais de um ano e está sem presidente desde novembro do ano passado quando o pró-sírio Emile Lahoud deixou o cargo.

Governistas e oposição não conseguem chegar a um acordo sobre a formação de um futuro governo e novas leis eleitorais.

Apesar de ambas as facções políticas terem como nome de consenso o comandante do Exército, general Michel Suleiman, para a presidência do país, já houve o adiamento de 18 sessões do parlamento para elegê-lo.

Colaborou Tariq Saleh, de Beirute

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