Combates são mantidos em vários pontos do Líbano

Apesar de um retorno à calma em grande parte de Beirute e da mobilização do Exército em todo o país neste domingo, novos combates foram registrados no norte do Líbano e em áreas drusas próximas à capital.

AFP |

O Exército libanês, tradicionalmente responsável pela manutenção da ordem, tomou posições em todo o país, em especial em Beirute e na entrada norte de Tripoli, maior cidade litorânea do norte do país, de maioria sunita, onde combates travados neste domingo deixaram um morto e cinco feridos.

Durante o dia, violentos combates foram registrados entre partidários do governo e militantes da oposição em várias zonas de maioria drusa no sudeste de Beirute, informaram várias testemunhas.

Na capital, os grupos armados xiitas da oposição haviam deixado a zona oeste, após a tomada seu controle na sexta-feira e tê-lo cedido aos militares.

A tensão se mantinha presente em todo o país, com os combates deste domingo e a manutenção das barricadas, principalmente bloqueando a estrada de acesso ao aeroporto internacional de Beirute, ao sul da capital, que permanecia fechado neste domingo.

Um membro da oposição liderada pelo Hezbollah declarou à AFP que este eixo, assim como outras estradas, permanecerão bloqueados.

Em Tripoli, uma mulher morreu e várias pessoas ficaram feridas nos combates deste domingo pela manhã, anunciou à AFP uma autoridade dos serviços de segurança, acrescentando que cerca de 7.000 pessoas fugiram quando os confrontos com metralhadoras e lança-foguetes tiveram início.

Os combates foram travados entre partidários sunitas da maioria governamental de Beirute e alauitas, um grupo dissidente dos xiitas leal ao movimento Hezbollah, apoiado por Síria e Irã.

No entanto, na véspera, o Hezbollah e seus aliados da oposição deram um sinal de conciliação ao iniciar a retirada de seus militantes dos bairros do oeste de Beirute.

A oposição xiita atendeu assim ao pedido do Exército, que tem a responsabilidade pelo restabelecimento da "paz civil" no Líbano, mas advertiu que manterá seu movimento de "desobediência civil".

O primeiro-ministro, Fuad Siniora, enviou no sábado uma mensagem ao país na qual pediu ao Exército que estabelecesse a segurança e retirasse os homens armados das ruas imediatamente.

Siniora pediu aos libaneses que respeitassem um minuto de silêncio neste domingo ao meio-dia para mostrar sua rejeição à violência. Este ato foi seguido maciçamente em todo o país.

Em uma tentativa de obter a calma, o Exército anunciou a suspensão das recentes decisões do governo contra o Hezbollah, causa dos combates que desde quinta-feira provocaram a morte de pelo menos 35 pessoas.

O Exército decidiu restituir ao seu posto o chefe da segurança do aeroporto, Wafic Chukair, destituído pelo governo sob a acusação de ser um homem ligado ao Hezbollah.

Os militares anunciaram também que "estudarão" a rede de telecomunicações do Hezbollah, que o governo queria investigar.

A formação xiita -que considera essa rede essencial para sua luta contra Israel- classificou essa iniciativa de "declaração de guerra", desencadeando assim os violentos enfrentamentos do final de semana.

Os ministros das Relações Exteriores árabes fizeram neste domingo um "apelo urgente ao fim imediato da violência" no Líbano após uma reunião no Cairo a pedido de dois países de grande influência, Arábia Saudita e Egito, aliados do governo libanês.

O Papa Bento XVI também exortou os libaneses "a abandonar a violência que leva o país ao irreparável".

bur/dm

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