Combates rompem efêmero cessar-fogo no Iêmen

Trégua foi rompida mesmo antes de começar; de acordo com a AFP, choques na capital e em Taiz deixam 15 mortos

iG São Paulo |

AP
Manifestante ferido é socorrido em Sanaa, capital do Iêmen
O acordo de cessar-fogo anunciado nesta terça-feira entre as forças leais e opositoras ao presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, não foi levado adiante pois, antes de seu início formal, os dois grupos voltaram a se enfrentar de forma violenta. O governo afirmou que havia alcançado um cessar-fogo com o general dissidente Mohnsen al-Ahmar e o chefe tribal xeque Sadeq al-Ahmar.

"A trégua não foi respeitada um só segundo", afirmou o xeque Hemyar al-Ahmar, irmão do opositor líder tribal. "Nossas casas estão sendo bombardeadas neste momento", no norte de Sanaa, afirmou. De acordo com a AFP, os episódios de violência deixaram 15 mortos na capital e na cidade de Taiz, no sudoeste do país.

O comitê conjunto que supervisiona o acordo de trégua anunciou que as duas partes em conflito concordaram em acabar com os confrontos armados a partir das 10h (horário de Brasília). Uma hora antes do início do acordo, porém, as tropas opositoras incendiaram a Câmara baixa do Parlamento.

O fogo se propagou por grande parte do edifício, segundo testemunhas. Pouco tempo depois, fortes explosões puderam ser ouvidas nos bairros de Al-Sufan e Al-Nahda, perto da região de Al-Hasaba, onde mora Ahmar.

Seus seguidores protagonizam sangrentos confrontos com os partidários de Saleh desde maio, e as autoridades o acusam do atentado contra o palácio presidencial, que deixou o líder iemenita gravemente ferido em junho .

Além disso, nos últimos meses, os militantes tribais ocuparam alguns prédios do governo, entre eles a sede da Câmara baixa, a mesma que foi incendiada nesta terça. Recentemente, o prédio tinha voltado a ficar sob controle das tropas governamentais.

Além do incêndio na Câmara, uma explosão no bairro de Al-Qaa, muito perto da sede do Conselho de Ministros, obrigou as autoridades iemenitas a desocupar a área e retirar os funcionários do edifício. A efêmera trégua, que estipulava a troca de reféns entre ambas as partes e o abandono dos prédios públicos por parte dos grupos armados, também foi violada pelos distúrbios nos protestos contra Saleh na capital. A cidade de Taiz também foi palco de confrontos entre partidários e opositores do governo.

A violência voltou a tomar conta do Iêmen na última semana, coincidindo com a proposta do Conselho de Segurança da ONU, adotada na sexta-feira, que pede que Saleh adote a iniciativa do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) para abandonar o poder.

No poder há três decadas, o chefe de Estado iemenita afirmou que só assinaria o acordo mencionado depois de receber garantias da Europa, dos EUA e dos próprios países do CCG - Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Omã, Bahrein e Kuwait.

Em várias ocasiões, Saleh se mostrou disposto a assinar a proposta do CCG, porém, sempre recuou no último momento. Esses episódios agravaram a crise política e os protestos contra seu regime, que começou em janeiro, na esteira dos levantes árabes .

Com EFE e AFP

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