Por C. Bryson Hull COLOMBO, Sri Lanka (Reuters) - O governo do Sri Lanka lançou mais ataques aéreos nesta sexta-feira contra a região ocupada pelos separatistas tâmeis, e a primeira remessa de comida em semanas chegou à zona de conflito depois de um combate violento no qual o Exército disse ter matado 42 rebeldes.

Enquanto as batalhas continuavam no front, localizado na parte norte dessa nação-ilha do oceano Índico, equipes de ajuda descarregaram mais da metade de um comboio de 51 caminhões, a primeira remessa de alimentos para a zona de guerra desde que o governo proibiu a entrada de grupos de ajuda, no mês passado.

As entidades humanitárias dizem que 200 mil pessoas estão presas entre os Tigres de Libertação do Tâmil Eelam (LTTE), que impedem a saída delas, e um Exército que prometeu dar-lhes passagem, mas que a maior parte das vítimas teme depois dos 25 anos de conflito.

'O descarregamento de 29 caminhões já chegou ao fim', disse S.P. Diwaratne, comissário de Serviços Essenciais do governo.

O comboio, que leva um carregamento de comida suficiente para uma semana, recebeu autorização dos dois lados para passar, afirmou a Organização das Nações Unidas (ONU).

Os alimentos foram distribuídos em quatro lugares localizados entre o porto de Mullaitivu (nordeste), controlado pelo LTTE, e a cidade de Kilinochchi, quartel-general do grupo e que fica 300 quilômetros ao norte de Colombo (capital), afirmou Diwaratne.

O Exército, que vem avançando, encontra-se perto de Mullaitivu e de Kilinochchi. Jatos da Força Aérea bombardearam a sede da polícia, dos serviços de inteligência e um campo do LTTE na sexta-feira, dentro de Kilinochchi, afirmou Janaka Nanayakkara, porta-voz da Aeronáutica.

Os 'tigres' afirmaram que três bombas 'antibunker' atingiram a sede da polícia. 'O prédio principal escapou quando a Unidade Antiaérea Ratha do Exército de Libertação do Tâmil Eelam disparou contra os bombardeiros,' afirmou um site do grupo.

Na quinta-feira, os soldados do Sri Lanka encontravam-se a 3,5 quilômetros de Kilinochchi.

Os combates travados nesse dia mataram 40 rebeldes e dois soldados, além de terem deixados feridos 52 membros do LTTE e 20 militares do governo, afirmaram as Forças Armadas. A informação não pôde ser verificada.

O governo do presidente Mahinda Rajapaksa está confiante na possibilidade de acabar com a parte convencional da guerra em breve. No ano passado, um cessar-fogo que vinha sendo desrespeitado pelos dois lados havia dois anos acabou sendo anulado definitivamente.

O LTTE enfrenta o governo do Sri Lanka desde 1983 em nome da minoria tâmil, fazendo dessas uma das insurgências mais antigas da Ásia.

Nesse período, o grupo eliminou todas as outras organizações militantes dos tâmeis, assassinou dezenas de políticos, entre os quais tâmeis moderados, e foi colocado nas listas de grupos terroristas elaboradas pelos EUA, pela União Européia (UE) e pela Índia porque lança mão de atentados suicidas.

O Sri Lanka é dominado pela etnia cingalesa, que responde por 75 por cento de sua população de 21 milhões de habitantes.

(Reportagem adicional de Ranga Sirilal)

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