Combates entre rebeldes e milícias complicam situação no leste da RDC

Kinshasa, 4 nov (EFE).- Guerrilheiros rebeldes tutsis e milícias locais Mai-Mai, aliadas do Governo de Kinshasa, se enfrentaram hoje na região de Rutshuru, o que pode deteriorar a já grave situação no leste da República Democrática do Congo (RDC), disse à Agência Efe um porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU) neste país.

EFE |

"Lamentamos a retomada dos combates entre o Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) e os Mai-Mai", disse por telefone de Goma, a capital da província de Kivu Norte, o tenente-coronel Jean-Paul Dietrich, porta-voz militar da Missão da ONU na RDC (Monuc).

Segundo Dietrich, os combates começaram na tarde de hoje e prosseguem no norte da província oriental de Kivu Norte, na região de Rutshuru, que há mais de dez dias se encontra sob o controle do CNDP, liderado por Laurent Nkunda.

"Estes combates provocam mais uma vez a deterioração da situação humanitária, que é muito frágil", disse o militar.

Dietrich ainda lembrou que cerca de 250 mil pessoas foram deslocadas em Kivu Norte desde agosto, e muitas delas não recebem ajuda sanitária nem comida há dez dias.

Os deslocamentos se produziram quando os rebeldes do CNDP realizaram uma ofensiva na qual expulsaram as tropas governamentais para chegar às portas de Goma antes de declarar um cessar-fogo em 29 de outubro.

Segundo Dietrich, a situação na cidade de Goma, que foi abandonada por muitos de seus habitantes perante o temor de que fosse ocupada pelos rebeldes tutsis, está relativamente tranqüila sob a vigilância da Monuc e da Polícia Nacional Congolesa.

Por sua vez, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou que uma centena de casos de cólera foram registrados na área, informação confirmada pela Monuc em comunicado, no qual informa que em Goma foram detectados 69 doentes e mais ao norte, em Kichanga, outros 20.

O escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na província de Kivu Norte afirmou que das 250 mil pessoas deslocadas na região desde que os combates entre o CNDP e as forças governamentais foram retomados, cerca de 100 mil tiveram que deixar suas casas nos últimos sete dias.

"No total, mais de um milhão de pessoas em Kivu Norte, 20% dos habitantes, já não vivem em seus lares", disse a Unicef.

A Alta Delegacia das Nações Unidas Para os Refugiados (Acnur) também confirmou hoje que cerca de 50 mil deslocados que estavam em Rutshuru se encontram perdidos e vagando pela região, depois que os rebeldes tutsis os dispersaram e destruíram seus refúgios.

Por sua vez, o novo primeiro-ministro da RDC, Adolphe Muzito, recentemente designado pelo presidente Joseph Kabila, visitou hoje Goma com uma delegação de ministros e acompanhado pelo chefe da Monuc, Alan Doss.

O primeiro-ministro, cujo Gabinete se negou a negociar diretamente com os rebeldes do CNDP e seu líder Nkunda, afirmou que a visita tem por objetivo tranqüilizar a população do leste do país.

Por sua vez, o porta-voz da guerrilha do CNDP, Bertrand Bisimwa, disse hoje que a recusa do Governo a negociar, após as repetidas solicitações de Nkunda, pode supor uma "declaração de guerra", e ameaçou de novo derrubar o regime de Kabila.

Já o ex-ministro de Relações Exteriores senegalês, Ibrahima Fall, novo emissário especial da União Africana (UA) para este conflito, é esperado amanhã em Kinshasa para buscar soluções à crise fundamentadas nos acordos de paz já existentes, assinados em novembro do ano passado e janeiro deste ano.

De Kinshasa, Fall deve viajar para Kigali, para tratar a situação com o Governo de Ruanda, que as autoridades congolesas acusam de apoiar os rebeldes da etnia hutu.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também que se mostrou disposto a viajar para esta região da África para observar pessoalmente o conflito, após nomear ontem como seu enviado especial para esta crise o ex-presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo. EFE py/ab/plc

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