Combates em Beirute deixam 11 mortos; Hezbollah fecha canais da família Hariri

BEIRUTE - Pelo menos 11 pessoas morreram na última quinta-feira nos violentos combates em Beirute entre partidários do governo e e da oposição, liderada pelo Hezbollah, segundo um novo balanço oficial. Rebeldes da oposição libanesa tomaram o controle de todas as ruas de Beirute Oeste, e os combates nesta zona pararam, informaram hoje à Agência Efe fontes policiais.

Redação com agências internacionais |

Nesta sexta-feira, o movimento radical xiita libanês Hezbollah fechou à força todos os meios de comunicação da família do líder da maioria anti-síria, Saad Hariri.

A emissora Future TV, o canal de informação por satélite Future News, o jornal Al-Mustaqbal e a Rádio Orient foram fechados e estão sob controle do Exército, depois de terem recebido ameaças de homens armados do Hezbollah, explicou uma fonte ligada ao grupo de comunicação da família.

"O comando do Exército nos transmitiu as ameaças e preferimos proteger nossos empregados", disse a fonte, que pediu anonimato.

AFP

O presidente de Future TV, Nadim Mulla, informara mais cedo que homens armados haviam cercado o edifício do canal, no distrito de Sanayeh, oeste de Beirute, para exigir o fechamento do canal.

Pouco depois o sinal do canal saiu do ar.

O porto de Beirute interrompeu suas atividades por causa dos distúrbios na cidade.

Os militantes do Hezbollah controlam vários bairros considerados redutos do partido sunita governista de Saad Hariri na zona oeste de Beirute, como Zarif, Malla, Zokak el-Blat, Khandak el-Ghamik e Aicha Bakkar.

Violência

Durante toda a quinta-feira, a violência se espalhou pelo Líbano. Em vários pontos do país houve confrontos armados entre partidários ligados ao governo e militantes da oposição liderada pelo Hezbollah.

Em Beshara Khoury, o Hezbollah e membros das forças libanesas, do cristão Samir Geagea, se envolveram em confrontos, e tiros puderam ser ouvidos nas cercanias do prédio do governo.

Helicópteros do Exército sobrevoaram Beirute, com soldados tentando controlar militantes de ambos os lados, mas com pouco sucesso.

O aeroporto internacional da capital continua bloqueado e inoperante, com todos os vôos cancelados.

Estado de emergência

O comando das Forças Armadas divulgou nota em que diz que, se a situação persistir, a unidade do Exército libanês estará comprometida.

Muitos soldados do exército são xiitas, e haveria a possibilidade de dissolução das tropas por questões de lealdade sectária.

Em Trípoli, a segunda maior cidade do país e forte reduto sunita aliado do governo, começaram confrontos entre facções rivais nas áreas perto do porto, na região de Mina.

A estrada que leva ao principal posto de fronteira com a Síria está bloqueada, o que obriga estrangeiros e libaneses a usar as fronteiras do norte para sair do país.

Segundo as forças de segurança libanesas, várias cidades no Vale do Bekaa, no leste do Líbano, estão com acessos bloqueados, e em outros pontos ocorrem combates armados entre as facções rivais.

Reações

Em um dos confrontos, uma pessoa morreu e outras seis pessoas ficaram feridas, segundo informações da imprensa local.

Várias ambulâncias puderam ser vistas pela cidade, mas ainda não há confirmação de mais vítimas.

O governo se reuniu em sessão extraordinária para discutir a posibilidade de declarar estado de emergência, segundo informou um porta-voz.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou sua preocupação e pediu às partes envolvidas que cessem as hostilidades.

A Casa Branca disse na última quinta-feira que o Hezbollah deveria interromper o que chamou de "atividades que provocam desordem".

(Com informações da AFP, EFE e BBC Brasil)

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