Combates diminuem em Gaza enquanto intensificam as iniciativas diplomáticas

Os combates diminuíram de intensidade nesta sexta-feira em Gaza, no 21º dia da ofensiva israelense, num momento em que prosseguem os esforços diplomáticos voltados para uma trégua, com Israel e o Hamas inflexíveis em suas posições.

AFP |

Em Washington, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, expressou a esperança de um cessar-fogo para "muito em breve".

Apesar de bombardeios esporádicos, o último dos quais deixou dois mortos no centro da Cidade de Gaza à tarde, o número de ataques israelenses conduzidos nesta sexta-feira foi o menor desde o início da ofensiva na Faixa de Gaza, em 27 de dezembro.

Em Jabaliya, no norte da Faixa de Gaza, uma palestina de 65 anos e seus netos de dois e quatro anos morreram na explosão de um obus disparado por um tanque israelense, segundo fontes médicas. Um palestino que circulava de scooter morreu em outro ataque, no sul do território.

Os tanques israelenses saíram pela manhã dos bairros devastados pelos combates da véspera, onde 23 corpos foram retirados dos escombros, segundo fontes médicas.

Enquanto os combates diminuíam, os esforços diplomáticos se intensificavam para se chegar a um cessar-fogo sob o patrocínio do Egito, apesar da intransigência dos beligerantes.

O principal negociador israelense, Amos Gilad, deixou o Cairo nesta sexta-feira depois de discussões sobre um plano egípcio de cessar-fogo e sem acordo formal para uma trégua, disse à AFP uma fonte diplomática.

"Não podemos falar de acordo formal", declarou esta fonte.

Gilad, conselheiro do ministro da Defesa Ehud Barak, se reuniu duas vezes em 48 horas com o chefe dos serviços egípcios de inteligência, Omar Suleiman, homem-chave dos contatos indiretos entre Israel e o Hamas.

Segundo a mesma fonte, os israelenses rejeitaram a trégua de um ano sugerida pelo número dois do braço político do Hamas, Mussa Abu Marzuk.

Representantes israelenses destacaram nesta sexta-feira que o Estado hebreu é contrário a qualquer trégua acompanhada por um limite de tempo, e exige a presença de forças da Autroridade Palestina, adversária do Hamas, no ponto de passagem de Rafah, entre Israel e o Egito.

Depois da visita de Gilad, o Egito pediu ao Hamas que reenviasse uma delegação ao Cairo para novas discussões, informou uma fonte do movimento.

Por sua vez, o líder no exílio do Hamas, Khaled Mechaal, afirmou durante uma controvertida reunião árabe em Doha dedicada à ofensiva israelense que o movimento radical islâmico não aceitará as condições de Israel para um cessar-fogo em Gaza.

Ele voltou a enumerar as exigências do Hamas, pedindo "o fim da agressão, a retirada israelense de Gaza, o fim do bloqueio e a abertura de todos os postos de passagem, sobretudo o de Rafah".

A Arábia Saudita e o Egito, os dois pesos-pesados do mundo árabe, e o presidente palestino, Mahmud Abbas, não compareceram à reunião de Doha, mostrando as profundas divergências existentes entre os países árabes.

Já o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, cujo país é um aliado do Hamas, está participando da reunião, e pediu que os dirigentes israelenses sejam levados ante a justiça internacional pelos "crimes" cometidos em Gaza.

O presidente sírio, Bachar al-Assad, conclamou em Doha todos os países árabes que mantêm relações diplomáticas com Israel a fecharem suas embaixadas e cortar qualquer contato com o Estado hebreu.

Logo depois da cúpula, a Mauritânia e o Qatar decidiram suspender suas relações com Israel.

Em Ramallah, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse esperar a conclusão de um cessar-fogo "nos próximos dias".

Abbas insistiu na necessidade de uma presença internacional "militar" na Faixa de Gaza, um território de onde suas forças foram expulsas pelo Hamas em junho de 2007.

Treze foguetes disparados a partir da Faixa de Gaza explodiram no sul de Israel, deixando quatro feridos leves, segundo os serviços de emergência.

O dia de ontem foi marcado pelos bombardeios mais intensos desde o início da ofensiva israelense. O complexo da Agência da ONU de ajuda aos refugiados palestinos (UNRWA), um hospital e um prédio de escritórios ocupados por meios de comunicação internacionais foram atingidos, e o ministro do Interior do Hamas, Said Siam, morreu na explosão de uma bomba.

A chanceler israelense, Tzipi Livni, viajou nesta sexta-feira em Washington para concluir um acordo impedindo o contrabando de armas entre a Faixa de Gaza e o Egito através de Rafah.

Em Moscou, o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, conclamou o Irã e a Síria a convencerem o Hamas de aceitar o plano egípcio.

Em três semanas de ofensiva, pelo menos 1.143 palestinos, entre eles 355 crianças e 100 mulheres, morreram, e mais de 5.130 ficaram feridos, segundo os serviços de emergência de Gaza. De acordo com o Centro palestino dos direitos humanos em Gaza, pelo menos 65% dos mortos são civis.

Do lado israelense, 10 militares e três civis faleceram durante o mesmo período.

Na Cisjordânia, um palestino de 15 anos foi morto pelo Exército israelense durante uma manifestação em Hebron.

Também foram registrados confrontos entre palestinos mascarados e policiais israelenses na parte leste de Jerusalém.

Milhares de pessoas se manifestaram no Kuwait, no Líbano e na Jordânia.

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