Combate a talibãs centrará reunião trilateral convocada por Obama

Agus Morales. Nova Délhi, 3 mai (EFE).- Os líderes do Afeganistão e do Paquistão vão na quarta-feira a Washington convocados pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para participar de uma cúpula trilateral que terá como eixo claro a luta contra os talibãs e o terrorismo.

EFE |

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que o encontro tem o objetivo de "acelerar o processo de cooperação entre os dois países e iniciar a nova estratégia elaborada pelos Estados Unidos" para a região.

Os presidentes paquistanês, Asif Ali Zardari, e afegão, Hamid Karzai, terão um encontro conjunto com Obama e poderão falar com ele separadamente, assim como com o enviado especial dos EUA à região, Richard Holbrooke.

Assim, reedita-se o jantar que o antecessor de Obama, George W.

Bush, ofereceu em setembro de 2006 ao general paquistanês Pervez Musharraf, então no poder, e ao próprio Karzai, na qual esses dois últimos confirmaram suas péssimas relações e quase não se falaram.

A cordial relação entre Karzai e Zardari, dois estrategistas do jogo político, fará com que, desta vez, o ambiente seja menos tenso, mas Obama reiterou que o Afeganistão e o Paquistão são a frente prioritária na luta contra o terrorismo e exigirá ação aos presidentes.

O gabinete presidencial paquistanês divulgou hoje um comunicado no qual confirmou que Zardari estará em Washington entre 5 e 8 de maio e terá seu primeiro encontro "oficial" com Obama, destinado a melhorar as relações bilaterais e levar a "cooperação regional ao mais alto nível".

Zardari chega à reunião desgastado pela oposição e pressionado no Paquistão e no exterior em relação ao combate aos talibãs, que têm seus redutos nas áreas tribais fronteiriças com o Paquistão, mas que estão travando combates com o Exército a apenas 100 quilômetros de Islamabad.

Obama qualificou recentemente o Governo paquistanês de "frágil", e sua preocupação é que Zardari não tenha poder suficiente para dirigir o Exército e os serviços secretos (ISI) na luta contra o terrorismo.

A imprensa americana publicou várias informações vazadas da CIA (agência de inteligência dos EUA) no último ano sugerindo um "jogo duplo" do Paquistão, ambíguo na guerra contra o terrorismo e mais voltado ao que considera seu inimigo "real", a Índia, segundo esta versão.

"Os Estados Unidos dificilmente terão a capacidade de comprovar para onde vai o dinheiro destinado ao Paquistão", disse à Agência Efe uma fonte de segurança.

Ao detalhar sua estratégia para o Afeganistão e o Paquistão, Obama prometeu US$ 1,5 bilhão anuais durante cinco anos ao segundo, condicionados a seu esforço na luta antiterrorista.

Washington descreve Islamabad como um "aliado estratégico", mas tem receio de um Exército que acredita mais bem equipado para um eventual conflito com a Índia do que para a luta contra os talibãs.

Analistas militares também falam da velha teoria da "profundidade estratégica" do ISI: a etnia pashtun - a mesma dos talibãs - forma o coração cultural e político do Afeganistão, e o Paquistão, que em suas áreas do noroeste tem população com muitos pashtuns, não pode renunciar a influenciar no país vizinho.

Karzai, um pashtun original da província de Kandahar, aterrissa em Washington à espera das eleições presidenciais de 20 de agosto, nas quais tentará a reeleição.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, chegou a tachar o Governo de Karzai de "narcoestado", e Washington não escondeu sua vontade de sondar outros candidatos que pudessem desbancar Karzai, a quem Bush sempre viu com bons olhos.

A cúpula será uma oportunidade para que Karzai, confiante em sua reeleição, diante da divisão da oposição, apresente-se a Obama como um aliado na região.

O aumento de tropas no Afeganistão anunciado por Obama - 17 mil soldados americanos e 4 mil instrutores militares - estará também na ordem do dia, após um ano no qual os talibãs, entrincheirados em seus redutos no sul, estenderam sua influência ao leste afegão.

No entanto, Karzai e Zardari, dois especialistas em movimentar os fios do poder para se manter no cargo, pediram várias vezes recursos para as maltratadas economias de seus países, e a cúpula é uma boa chance de convencer a Washington a ser mais generoso. EFE amp/an

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