Redação Central, 20 dez (EFE).- A luta contra a mudança climática terá em 2009 uma reunião-chave em Copenhague, na Dinamarca, onde o mundo deverá decidir como enfrentar este problema a partir de 2012, quando vence o Protocolo de Kioto.

Mas, para isso, as 192 nações signatárias da Convenção das Nações Unidas sobre a Mudança Climática terão que superar as diferenças entre ricos e emergentes, assim como a resistência de alguns países ao uso de tecnologias mais limpas e mais caras em um momento de crise global.

Por outro lado, as negociações terão como novidade a participação de representantes do recém-eleito presidente dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama, que se comprometeu a adotar medidas a favor do meio ambiente após oito anos de passividade do atual chefe de Estado americano, George W. Bush.

A falta de resultados na conferência da ONU sobre mudança climática realizada entre 1º e 13 de dezembro, em Poznan (Polônia), e o acordo para a redução das emissões alcançado pela União Européia (UE) em 12 de dezembro em Bruxelas, considerado fraco pelos ecologistas, são uma mostra das dificuldades a serem enfrentadas em Copenhague.

"É muito difícil pedir às pessoas que sacrifiquem algo hoje por algo que as beneficiarão a longo prazo, e dificilmente este obstáculo será superado no ano que vem", declarou à Agência Efe Ken Caldeira, porta-voz da Carnegie Institution (EUA), que estuda os impactos da mudança climática.

Caldeira está "pessimista" quanto ao alcance de soluções "substanciais" na conferência de Copenhague, que acontecerá em dezembro de 2009. Para ele, o combate às alterações do clima exige "uma transformação revolucionária nas formas como a energia é produzida e consumida".

Em Poznan, os países em desenvolvimento, os mais vulneráveis às conseqüências do aquecimento global, pediram às nações industrializadas mais ajudas para adaptarem suas infra-estruturas aos desastres naturais. Porém, só conseguiram parte dos fundos que pleitearam para esse fim.

Por sua vez, a China, o maior poluidor do mundo, e outros países emergentes, como Índia e México, se mostraram dispostos a adotar medidas contra o aquecimento, mas sem renunciar ao desenvolvimento.

O Protocolo de Kioto, assinado em 1997 e que entrou em vigor em 2005, obriga 37 países industrializados - todos, com exceção dos EUA, que não ratificou o documento - a reduzir suas emissões em 5% entre 2008 e 2012 em comparação com os níveis de 1990, mas não traz compromissos para os países em desenvolvimento.

"Os EUA e a Europa devem dar exemplo. Se não reduzirmos nossas emissões, não podemos esperar que China e Índia o façam", declarou Caldeira.

No último dia 12, a UE, que liderou os esforços internacionais contra a mudança climática, obteve em 12 de dezembro um acordo para, até 2020, reduzir em 20% a liberação na atmosfera dos gases do efeito estufa, diminuir em 20% o consumo de energia e gerar 20% da energia que consome a partir de fontes renováveis.

Para isso, as indústrias passarão a pagar pelos direitos de emissão que até agora recebiam de graça, e a receita obtida nos leilões de cotas irão para os países do bloco.

No entanto, para assegurar o apoio dos países-membros do Leste europeu, o plano foi adaptado para conceder isenções a algumas das indústrias mais poluentes, para que estas não saíssem da UE. Além disso, o acordo considera uma redução nas emissões os investimentos em projetos ambientais em países em desenvolvimento.

Esses dois aspectos foram muito criticados pelos ecologistas como um "duro golpe à liderança da UE" na questão do clima.

Essa liderança, segundo o "guru" da luta contra a mudança climática e ex-vice-presidente dos EUA Al Gore, pode passar agora para os EUA e Obama, que vê nas energias renováveis também uma fonte de emprego em tempos de recessão.

Quanto aos fenômenos meteorológicos extremos, como os ciclones, as inundações e o aumento do nível dos mares, já podem ser considerados recorrentes em um planeta no qual, segundo Al Gore, a cada 24 horas são emitidos 70 milhões de toneladas de gases estufa.

Em seu último relatório, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) afirma que o aquecimento como resultado das atividades humanas é inequívoco e que, dos 12 anos que se passaram entre 1995 e 2006, 11 estão entre os mais quentes desde que temperaturas começaram a ser registradas em 1850. EFE ik/sc

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.