Combate à mudança climática pode gerar US$ 1,5 bi para a África

Por Kylie MacLellan LONDRES (Reuters) - O uso dos vastos recursos agrícolas da África para ajudar no combate à mudança climática poderia gerar 1,5 bilhão de dólares por ano para o continente, disse uma diretora do Banco Mundial nesta terça-feira.

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Na opinião de Ngozi Okonjo-Iweala, a região poderia também explorar seus recursos renováveis, especialmente a energia hidrelétrica, para atender à crescente demanda por energia e estimular o crescimento e o desenvolvimento.

"É essencial que a mudança climática seja vista como uma grande oportunidade de desenvolvimento para a África, diante do esperado aumento nas exigências energéticas conforme o crescimento se acelera", disse a diretora-executiva da instituição em um seminário na London School of Economics.

"O sequestro agrícola de carbono poderia gerar rendimentos anuais próximos de 1,5 bilhão de dólares", disse ela, acrescentando que a gestão das terras aráveis precisaria ser incluída nos futuros acordos climáticos para que a África se beneficiasse do mercado do carbono.

O termo "sequestro de carbono" se refere à captura e armazenagem do carbono, por exemplo, por árvores e plantas que absorvem o dióxido de carbono, o principal gás do efeito estufa.

Um documento da Organização das Nações Unidas (ONU) no ano passado estimou que até 2030 entre 5,5 e 6 bilhões de toneladas de CO2 ou equivalente poderiam ser mitigados anualmente pela agricultura.

Okonjo-Iweala acrescentou que apenas 8 por cento da capacidade hidrelétrica da África está atualmente sendo explorada, e que o melhor aproveitamento dos recursos renováveis ajudaria o continente mais pobre do mundo a acelerar seu crescimento.

Mas ela admitiu que a mudança climática também representa um grande desafio para os países da região, já que o aquecimento fará com que a agricultura -- que emprega cerca de 70 por cento da população africana -- seja afetada com mais frequência por secas e inundações.

A África cresceu a uma média superior a 5 por cento entre 2001 e 2008, mas neste ano esse índice deve cair para abaixo de 3 por cento por causa do impacto da crise econômica global sobre o comércio e os investimentos.

Okonjo-Iweala, que já foi ministra de Finanças e Relações Exteriores da Nigéria, disse que, para retomar sua trajetória de crescimento anterior à crise, o continente deveria estimular setores com grande uso de mão de obra, como a indústria.

"Em muitos casos, (o crescimento pré-crise) não gerou empregos num ritmo suficientemente rápido para absorver um grande número de jovens que chega aos mercados de trabalho", disse ela, acrescentando que atrair indústrias chinesas poderia ajudar a resolver a problema.

"A China está subindo na cadeia de valor em termos de produção e manufatura, os custos estão subindo (...), e as empresas que estão experimentando custos mais altos acharão lucrativo mudar sua fábrica e seus equipamentos para o continente (africano)."

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