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Comando brasileiro no Haiti nega que segurança está degradada

Por Natuza Nery PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - O Exército brasileiro informou na noite da terça-feira que a segurança no Haiti é de responsabilidade da missão de paz da ONU, liderada pelo Brasil, e que a situação está sob controle, apesar dos saques e tumulto, depois que o país foi atingido por um forte terremoto.

Reuters |

O comando brasileiro no Haiti enfatizou que o Brasil está no controle da segurança, descartando, portanto, qualquer possibilidade de ajuda dos Estados Unidos nessa área.

"Eu não tenho indicadores que me levem a crer que a situação de segurança esteja sendo degradada", disse o chefe do contingente militar da Minustah, general Floriano Peixoto.

O embaixador brasileiro naquele país, Igor Kipman, também reconheceu que a "Minustah tem a situação perfeitamente controlada", não havendo necessidade de os norte-americanos atuarem na segurança. Segundo ele, a coordenação da ajuda humanitária com os Estados Unidos é "harmoniosa e produtiva."

A tomada do controle pelos EUA do aeroporto de Porto Príncipe gerou desconforto com alguns países, entre eles o Brasil, mas depois autoridades minimizaram possíveis atritos com os Estados Unidos.

Ao ser questionado sobre o ambiente caótico que toma conta da devastada capital haitiana, com corpos pelas ruas, escombros, pessoas aflitas em busca de alimentos e saques, o embaixador reconheceu a dificuldade e disse: "Claro que não posso dizer que segunda-feira não haverá um levante."

Cerca de 12 mil militares dos EUA estão no país, em navios na costa ou a caminho, e o presidente haitiano, René Préval, chegou a afirmar que as tropas dos EUA ajudariam as forças de paz da ONU a impor a ordem nas ruas cada vez mais caóticas da capital.

A preocupação aumentou depois que cerca de três mil presos fugiram da cadeia na sequência do tremor de magnitude 7,0 que abalou, sobretudo, Porto Príncipe no dia 12.

"Estamos preocupados sim com esse dado (...) o povo está bastante apreensivo, mas já está se reorganizando e não se vê (em Porto Príncipe) essa violência que tem se falado", afirmou o coronel Bernardes, comandante do batalhão brasileiro no Haiti.

Ele disse que o esforço do Brasil também é recapturar os bandidos foragidos, mas negou os relatos de que eles teriam se organizado em gangues e tomado a favela de Cité Soleil, marcada pela violência após a crise institucional de 2004, quando a força da ONU foi enviada para estabilizar o país caribenho.

"O trabalho precisa ser muito mais intenso para impedir que o crime se reorganize", disse Bernardes, acrescentando ter voltado à favela e que a situação havia mudado muito pouco em relação ao dia anterior à tragédia.

Kipman contou que antes do terremoto o governo canadense estava terminando a construção de um presídio fora da capital haitiana, que se acredita não ter sido destruído, já que os danos materiais se limitaram, sobretudo, à capital do país.

O general Peixoto falou a jornalistas antes de uma celebração fúnebre em homenagem aos 17 militares brasileiros mortos na tragédia. Os caixões foram dispostos no aeroporto, cobertos por flores e bandeiras da ONU, antes de serem enviados ao Brasil, onde deverão chegar na quarta-feira.

Além dos militares integrantes da Minustah, também morreram na tragédia a médica e fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, e o diplomata Luiz Carlos da Costa, funcionário da ONU e segundo civil na hierarquia da ONU no Haiti.

Segundo o Itamaraty, dos 119 civis que estariam no Haiti no dia do tremor, ainda não há informações sobre duas pessoas.

O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta terça-feira, por unanimidade, o aumento temporário no número de tropas e policiais da entidade no Haiti em 3.500 para ajudar a manter a segurança e ajudar nos esforços humanitários.

A Minustah tem contingente de cerca de 9.000 pessoas, sendo pouco mais de 7.000 militares de diversas nacionalidades. O Brasil lidera a missão de paz com 1.266 militares.

Peixoto disse, porém, que o aumento não será automático e dependerá de uma análise de necessidade que está sendo elaborada. "No momento eu não tenho definição se essas tropas serão ou não necessárias", disse.

Todos os militares manifestam frustração pelo fato de alimentos, água e medicamentos não chegarem aos haitianos de forma mais rápida e regular.

"A ajuda que chegou até o momento é muito modesta em relação ao que está para chegar," disse Peixoto.

Uma multidão de haitianos pedia comida e água e reclamava que a ajuda não tem chegado a eles. Durante ronda feita para jornalistas por soldados brasileiros em alguns pontos da cidade de Porto Príncipe, não foi visto nenhum centro de distribuição de ajuda humanitária.

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