De Falco, que ordenou a Schettino 'Suba a b-o-r-do!', rejeita rótulo e falar com imprensa, afirmando que apenas cumpria seu dever

Comandante da Guarda Costeira Gregorio De Falco (C) chega à corte de Grosseto para prestar depoimento sobre o naufrágio do navio Costa Concordia (17/01)
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Comandante da Guarda Costeira Gregorio De Falco (C) chega à corte de Grosseto para prestar depoimento sobre o naufrágio do navio Costa Concordia (17/01)
A discussão furiosa e indignada entre o comandante Gregorio De Falco, da Capitania dos Portos de Livorno, e o capitão do Costa Concordia, Francesco Schettino , que deixou o navio naufragado na sexta-feira antes da retirada de milhares a bordo, foi ouvida na terça-feira por toda a Itália, que descreveu De Falco como herói.

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O diálogo entre o capitão, de 52 anos, que fugia do acidente por volta das 23h30 local em um bote salva-vidas, e o comandante de Livorno, de 46 anos, que, imperiosa e taxativamente, ordenava seu retorno ao navio para socorrer milhares de homens, mulheres e crianças ocorreu à 0h42.

No entanto, Schettino, que afirmava o tempo todo estar no comando da embarcação, embora depoimentos de um cozinheiro indicassem que estava em um bar esperando uma bebida ao lado de uma mulher, não voltou ao cruzeiro, onde até as 3h houve passageiros a ser resgatados.

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"Escute, Schettino", disse De Falco, "há pessoas presas a bordo. Dirija-se com seu barco abaixo da proa do navio pelo lado direito. Suba a bordo pela escada de corda e me diga quantas pessoas há lá. Está claro?"

Com uma voz apagada, o capitão do cruzeiro respondeu: "Mas se dá conta que aqui está tudo escuro e não vemos nada?"

"E quer voltar para sua casa, Schettino?", perguntou De Falco irritado e levantando a voz. "Está escuro e quer voltar para sua casa? Pegue o bote, vá até a proa do navio e diga-me o que se pode fazer, quantas pessoas estão lá e o que precisam. Está claro?". "Suba a b-o-r-d-o!, cazzo", ordenou com voz firme, indignada, uma frase que ressoou nas casas italianas.

Ouça o diálogo entre Schettino e De Falco:

O diálogo, que foi reproduzido por todos os meios de comunicação durante a terça, não deixou os italianos indiferentes, e as redes sociais estão cheias nesta quarta-feira com o nome do herói que rejeitou o rótulo. "Não sou um herói ou um homem de ferro. Eu e minha equipe estávamos apenas cumprindo nosso dever", disse, segundo o jornal Il Tirreno. 

Na noite da sexta-feira, De Falco chorou de raiva quando ficou claro que no interior do navio haviam ficado presos homens, mulheres, portadores de deficiência física e talvez algumas crianças, 300 pessoas que foram abandonadas a bordo por Schettino, segundo a acusação.

Chorou de raiva, segundo contaram seus subordinados aos meios de comunicação, ao pensar no caráter "desumano" do capitão. No entanto, De Falco pediu aos jornalistas que se esqueçam dele. Sua missão é e foi a de "socorrer".

Por outro lado, o comandante considera que o verdadeiro herói é seu subcomandante, Alessandro Tosi, que às 22h07 local lhe disse: "Comandante, aquele cruzeiro está indo devagar demais, 6 nós (menos de 2 km/h). O que faz a 6 nós em uma rota invertida? Há um problema."

De Livorno ligaram para a ponte de comando do Costa Concordia para esclarecer as razões da lenta navegação da embarcação: "É só um problema técnico", respondeu o capitão.

Já na conversa da madrugada, o comandante De Falco, segundo explicou, percebeu pela voz que Schettino mentia e escutou os gritos distantes das pessoas que pediam socorro. "Abandonar é mais do que desertar, é trair o Código Marítimo", disse De Falco.

"Não abandonei o navio, caí em um barco de salvamento ", argumentou Schettino, acrescentando que "tentou salvar todos". "Nem sequer coloquei o colete salva-vidas para ceder para um dos passageiros", alegou.

O capitão do navio, natural de Meta di Sorrento, e De Falco, nascido em Nápoles, são marinheiros da região da Campânia, ao sul da Itália.

"Para nós é a ofensa mais dura porque há tantos marinheiros campanos que são como De Falco dos quais ninguém fala, tantos marinheiros valentes que não se comportam como o comandante Schettino e não merecem esse rótulo", disse Raffaella, esposa do comandante "herói" ao jornal Corriere della Sera.

Tudo indica que a frase "Suba a B-O-R-D-O!" entrará para a história do acidente, uma tragédia na qual os italianos encontraram um gesto que neutraliza a péssima atuação de seu compatriota, o capitão napolitano.

O lema já está impresso em camisetas divulgadas nas redes sociais. "De Falco for president", dizem frases postadas no Twitter, "Santo Subito", "Eu o quero como presidente do Conselho", "Vá à minha casa, a porta para o senhor estará sempre aberta" são algumas das mensagens que circulam pela internet sobre o novo herói, que jamais pisou no Concordia.

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