Comandante dos EUA quer mais tropas no Afeganistão

Por Peter Graff e Matt Spetalnick CABUL/NOVA YORK (Reuters) - Os EUA irão fracassar na sua guerra contra o Taliban se não dedicarem mais forças e definirem uma nova estratégia para o conflito, disse o comandante das forças norte-americanas e da Otan, em um momento em que o governo de Barack Obama enfrenta resistências ao envio de mais tropas.

Reuters |

O general Stanley McChrystal afirmou, em uma avaliação confidencial, que é preciso reassumir em curto prazo a iniciativa contra o "impulso insurgente", pois do contrário, "derrotar a insurgência (pode) não ser mais possível."

O jornal The Washington Post obteve uma cópia do relatório de 66 páginas, mas publicou no seu site uma versão com alguns trechos omitidos a pedido do governo. Um porta-voz de McChrystal em Cabul confirmou a autenticidade do documento.

Obama ainda não se manifestou sobre o envio de novos reforços, e disse que fará perguntas duras à sua equipe de segurança nacional.

"Não tomaremos qualquer decisão sobre futuras mobilizações de tropas até que saibamos qual é exatamente a nossa estratégia", disse o presidente em uma entrevista ao apresentador David Letterman, gravada nesta segunda-feira em Nova York.

Parte do Partido Democrata, de Obama, se opõe ao envio de mais tropas, e as pesquisas mostram que a opinião pública começa a se voltar contra o conflito iniciado há oito anos.

Por outro lado, a maior parte do Partido Republicano, de oposição, cobra rapidez de Obama em sua decisão, e a avaliação enviada por McChrystal deve aumentar essa pressão.

O senador democrata Jim Webb disse que este documento marca "uma virada no Afeganistão quanto a formalmente adotarmos a construção nacional (afegã) como política."

Já o líder republicano na Câmara, deputado John Boehner, se disse perturbado pela suposta demora de Obama em tomar uma decisão sobre o envio de reforços.

"É hora de o presidente esclarecer onde está em termos da estratégia que articulou, porque quanto mais esperarmos mais colocamos nossas tropas em risco", afirmou.

Em seu relatório, McChrystal disse que "recursos não ganharão esta guerra, mas a falta de recursos podem fazer com que ela seja perdida."

"A falha em fornecer recursos adequados também pode gerar um conflito mais longo, maiores baixas, um custo geral maior e, afinal, uma perda crítica de apoio político. Qualquer desses riscos, por sua vez, deve resultar em um fracasso da missão."

McChrystal, que comanda mais de 100 mil tropas ocidentais, dois terços das quais norte-americanas, redigiu um pedido em separado com o reforço que julga necessário, mas ainda não o submeteu a Washington.

O tenente-coronel Tadd Sholtis, porta-voz de McChrystal, disse que o general não cogita renunciar ao cargo se não tiver reforços, e que manterá seu empenho sob qualquer orientação que receber de Obama.

"A avaliação se baseou na sua compreensão da missão conforme apresentada a ele. Se houver uma mudança de estratégia, aí a peça dos recursos muda."

(Reportagem adicional de JoAnne Allen e Andrew Gray em Washington e Deepa Babington em Roma)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG