Comandante dos EUA pede revisão da estratégia no Afeganistão

CABUL - O comandante das forças dos EUA e da Otan no Afeganistão apresentou nesta segunda-feira uma análise em que recomenda alterações estratégicas para resolver um conflito que já dura oito anos e que ele qualificou como sério.

Redação com agências internacionais |

Não houve esclarecimentos públicos sobre se o general Stanley McChrystal solicitará mais reforços para essa nova estratégia. Ele já comanda um contingente recorde no país, superiora a 100 mil soldados.

O documento deve servir de base para uma nova abordagem nos esforços ocidentais para conter a militância islâmica no Afeganistão, o que é a maior prioridade diplomática do presidente dos EUA, Barack Obama.

"A situação no Afeganistão é séria, mas o sucesso é alcançável e exige uma estratégia revista de implementação, compromisso e resolução, e uma unidade maior do esforço", disse McChrystal em nota anunciando que a revisão estava pronta.

O general preparava esse documento desde que Obama o colocou à frente da guerra, em junho.

O documento foi entregue ao Comando Central dos EUA, responsável pelas guerras do Iraque e Afeganistão, e à sede da Otan, em Bruxelas. Ao menos por enquanto, ele não deve fazer recomendações sobre o volume do contingente.

Mas oficiais militares dizem que servirá de base para uma decisão sobre reforços ou retiradas, a ser tomada na próxima semana. Trata-se de uma decisão politicamente importante, que pode marcar os rumos do governo Obama.

Impasse político

O relatório surge num momento de impasse político no Afeganistão, que ainda aguarda o resultado das eleições presidenciais do dia 20. As autoridades locais devem divulgar novos dados parciais na segunda-feira.

Até agora, o presidente Hamid Karzai, lidera a apuração, mas sem votos suficientes para evitar um segundo turno em outubro. Seu principal rival, Abudllah Abdullah, acusa o governo de fraude.

McChrystal atualmente comanda uma tropa de 103 mil soldados no Afeganistão, sendo 63 mil norte-americanos, mais de metade dos quais chegaram neste ano, refletindo a prioridade que Obama dá ao conflito do Afeganistão, em detrimento da guerra do Iraque.

Até o final do ano, espera-se que o contingente chegue a 110 mil, sendo 68 mil norte-americanos.

A violência tem crescido no Afeganistão neste ano. Mais soldados ocidentais morreram desde março do que em todo o período de 2001 a 2004. Este já é o ano mais letal para as tropas estrangeiras desde o início da guerra.

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