Comandante diz que policiais não fizeram nada incorreto ao matar Jean Charles

Emilia Pérez. Londres, 6 out (EFE).- O brasileiro Jean Charles de Menezes foi vítima de circunstâncias terríveis e extraordinárias, declarou hoje a responsável direta pela operação na qual o jovem brasileiro foi morto, Cressida Dick, para quem nenhum dos agentes fez nada de incorreto.

EFE |

"Se me perguntarem se acho que alguém fez algo incorreto ou pouco razoável na operação, acho que não. É uma tragédia horrível", afirmou Dick em sua declaração para a investigação sobre a morte do brasileiro, acompanhada pela mãe do jovem, Maria Otone de Menezes.

Maria, que assistia pela primeira vez à investigação e estava acompanhada de seu filho mais velho, Giovanni de Menezes, mostrou-se "decepcionada e ofendida" e, por momentos, perdeu o controle e teve que deixar a sala.

O jovem brasileiro, que tinha 27 anos e trabalhava como eletricista, foi baleado à queima-roupa por dois agentes na estação de metrô de Stockwell (sul de Londres) em 22 de julho de 2005 ao ser confundido com um dos terroristas que na véspera tentaram realizar atentados contra a rede de transporte de Londres.

Esses ataques fracassados ocorreram apenas duas semanas depois dos de 7 de julho, que deixaram 56 mortos e mais de 700 feridos.

O comparecimento da subcomissária da Scotland Yard, eximida em novembro passado de qualquer responsabilidade na morte de Jean Charles, era um dos mais esperados da investigação, iniciada em 22 de setembro.

Ela lembrou o que fez desde a tarde de 21 de julho de 2005, após tomar conhecimento dos atentados fracassados em Londres, até o dia seguinte, quando Jean Charles foi morto.

Dick, que entrou na polícia em 1983, enumerou as coincidências "desafortunadas" que levaram à identificação errada do jovem.

Jean Charles teve muito azar "de morar no mesmo edifício que Hussain Osman" e "de se parecer com Hussain Osman", disse a oficial.

Além disso, um dos agentes que participava da vigilância se sentiu indisposto e teve uma visão superficial do jovem brasileiro, que utilizou a mesma estação de metrô que três dos suicidas do 21-J.

Dick explicou que soube da existência de Jean Charles quando este tinha tomado o primeiro ônibus para Brixton, mas que foi quando o brasileiro tomou um segundo para Stockwell que os policiais lhe transmitiram a certeza de que se tratava do homem que procuravam.

"Eles têm certeza de que é ele", lhe disse o inspetor a cargo da unidade de agentes armados.

Dick negou ter ordenado aos policiais que impedissem "a todo custo" Jean Charles de pegar um metrô em Stockwell e ter pedido a seus homens que utilizassem a força.

No entanto, ela disse que, quando tomou a decisão de deter Jean Charles, acreditava que os agentes armados achavam que o brasileiro representava uma ameaça para eles ou para os viajantes.

A subcomissária explicou que quando soube que o homem que tinha sido morto era inocente, se sentiu muito mal, porque se tratava de "algo terrível".

"Desde aquele dia até hoje pensei sobre isto freqüentemente, a cada dia. Me perguntava o que poderíamos ter feito de diferente", continuou Dick, com a voz entrecortada pela emoção.

Ela ressaltou que naquela manhã tinha ido trabalhar "para salvar vidas" e a última coisa que queria era que "uma pessoa inocente" morresse.

"Mas foi o que ocorreu e lamento profundamente", acrescentou a oficial, cujo depoimento continuará amanhã, quando será interrogada pelo advogado que representa a família Menezes, Michael Mansfield, o mesmo que representou Mohamed al-Fayed na investigação sobre a morte da princesa Diana e de Dodi al-Fayed.

Nas próximas semanas, são aguardados os depoimentos dos dois agentes que mataram Jean Charles. EFE ep/ab/jp

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