Comandante da Otan não acredita em saída próxima do Afeganistão

Por David Brunnstrom BRUXELAS (Reuters) - As forças internacionais não devem prever sua retirada do Afeganistão no futuro próximo, disse nesta segunda-feira o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, acrescentando que a nova estratégia dos EUA para o país é realista.

Reuters |

Oito anos após a invasão liderada pelos EUA para expulsar o Taliban do governo, os EUA, a Otan e outros aliados não estão conseguindo reprimir a insurgência crescente no país muçulmano.

"Em minha opinião, será preciso permanecer no Afeganistão pelo futuro previsível", disse De Hoop Scheffer a jornalistas em Bruxelas, comentando que até agora tem visto "reações positivas" à nova estratégia anunciada pelo presidente Barack Obama na semana passada.

Obama não fixou um cronograma para seu plano de guerra revisto, mas deslocou o foco da ação para o treinamento das forças de segurança do próprio Afeganistão e disse que os Estados Unidos não vão "seguir cegamente o rumo seguido até agora".

De Hoop Scheffer saudou a decisão de concentrar-se em derrotar os militantes da Al Qaeda, em lugar do plano mais ambicioso da administração Bush de construir a democracia no Afeganistão.

"Acho que o plano de Obama é realista quanto ao que pode ser realizado", disse De Hoop Scheffer. "Ou seja, não poderemos converter o Afeganistão numa Suíça em poucos anos."

Ele disse que numa reunião sobre o Afeganistão que acontece na terça-feira na Holanda, com o apoio da ONU, pedirá recursos adicionais para treinar as forças de segurança afegãs. Ele estimou esses recursos em 2 bilhões de dólares para um ano.

"Dois bilhões de dólares é muito dinheiro, mas apenas se você pensar no valor isoladamente", disse ele, citando um "cálculo muito informal" de que a guerra estaria custando à Otan e seus aliados cerca de 42 bilhões de dólares por ano.

"E não estou contando as perdas imensuráveis de vidas de nossos soldados", disse ele, referindo-se aos mais de 1.100 militares estrangeiros mortos no Afeganistão desde 2001.

Numa cúpula da Otan na fronteira entre França e Alemanha que vai começar na sexta-feira, Obama vai consultar seus aliados sobre um plano para enviar 4.000 soldados norte- americanos para treinar forças afegãs, além do reforço previamente anunciado de 17 mil soldados americanos adicionais para reforçar o esforço de guerra.

Com isso o total de forças americanas no Afeganistão chegará a 55 mil, ante 32 mil de todos os outros membros da Otan e outros países envolvidos nas operações militares. Esse fato vem levando alguns analistas a dizer que a Otan pode ser cada vez mais relegada ao segundo plano.

De Hoop Scheffer disse que não se deve permitir que isso aconteça e exortou o pacto militar de 26 membros a exercer um papel pleno no esforço no Afeganistão.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG