Por Francesca Piscioneri PORTO ROTONDO, Itália (Reuters) - Silvio Berlusconi regressou na sexta-feira ao cenário da diplomacia internacional ao receber o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e propalar uma amizade que, segundo disse, seria vantajosa para a Itália e o mundo.

O evento, porém, perdeu uma parcela de seu glamour quando Putin viu-se forçado, diante das câmeras de TV, a negar as informações de que teria se divorciado secretamente de sua mulher e que pretendia casar-se com uma campeã de ginástica olímpica.

Berlusconi, eleito para um terceiro mandato como primeiro-ministro da Itália, deu as boas-vindas ao líder russo em sua vila de veraneio, na ilha da Sardenha, um ambiente informal feito sob medida para destacar a natureza pessoal da relação mantida pelos dois.

Depois de uma noite de celebrações na quinta-feira, que incluiu um musical de comédia, Berlusconi e Putin realizaram uma entrevista coletiva e falaram sobre uma cooperação no setor energético e uma eventual cooperação entre suas companhias aéreas nacionais.

Após meses de especulação envolvendo a Aeroflot, Putin disse que a empresa russa poderia dar início a negociações sobre oferecer apoio à Alitalia, que está perto da falência.

'Tudo fica mais fácil se há uma relação de estima mútua, uma relação de confiança, uma relação de respeito e de amizade', disse aos repórteres Berlusconi, que deve tomar posse no começo de maio.

O futuro dirigente acrescentou que sua profunda amizade com Putin permitia aos dois países uma melhor compreensão um do outro -- algo que, segundo Berlusconi, serviria 'aos interesses não apenas dos nossos dois países, mas, creio eu, do mundo todo'.

O líder russo e o premiê eleito aproximaram-se durante o último mandato de Berlusconi (de 2001-2006), quando o foco deste último sobre a Rússia, Israel e os EUA isolou a Itália dentro da União Européia (UE).

Após as eleições gerais de 13 e 14 de abril, Berlusconi, um magnata da mídia bilionário, disse que ajudará a UE a reconquistar a influência supostamente perdida desde que ele saiu do poder.

O futuro premiê afirmou desejar ampliar os laços que se aprofundaram bastante em 2006, quando, sob o comando de Romano Prodi, o primeiro-ministro italiano hoje em final de mandato, a Itália e a Rússia assinaram uma parceria nos setores de gás e petróleo por meio da Gazprom e da Eni .

Mas o civilizado evento sofreu um inesperado revés logo ao iniciar-se. O jornalista de um diário russo perguntou a Putin sobre as reportagens dando conta de que havia se divorciado de sua mulher, Lyudmila, para casar-se com Alina Kabayeva, 24, campeã de ginástica olímpica.

'Não há um pingo de verdade nisso que você disse,' afirmou o líder russo, 55. 'Sempre reagi negativamente àqueles que, com seus narizes intrometidos e fantasias eróticas, invadem a vida dos outros.'

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