Com violência em pauta, Lula e Lugo se reúnem na fronteira

Brasília, 2 mai (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá nesta segunda-feira em Ponta Porã (MS), na fronteira com Pedro Juan Caballero, o presidente paraguaio, Fernando Lugo, numa reunião em que deve estar em pauta desde energia até a violência na região.

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Brasília, 2 mai (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá nesta segunda-feira em Ponta Porã (MS), na fronteira com Pedro Juan Caballero, o presidente paraguaio, Fernando Lugo, numa reunião em que deve estar em pauta desde energia até a violência na região. Pedro Juan Caballero é capital do departamento (estado) paraguaio de Amambay, uma das cinco regiões do país em que rege o estado de exceção decretado pelo Governo Lugo para conter uma onda de violência atribuída à guerrilha do chamado Exército do Povo Paraguaio (EPP). Segundo a Promotoria paraguaia, o EPP é um grupo desprendido do Partido Pátria Livre (PPL) e poderia ter nexos até com o Primeiro Comando da Capital (PCC), controlado por presos em São Paulo. Há quatro dias, Pedro Juan Caballero é palco de uma forte operação de segurança com 150 militares, enviados pelo Governo Lugo após um atentado que feriu o senador Robert Acevedo. O porta-voz da Presidência brasileira, Marcelo Baumbach, disse que Lula pretende mostrar a Lugo sua solidariedade e oferecer toda a cooperação possível, embora tenha esclarecido que para o Brasil essa situação é de "natureza interna" do Paraguai. Assim, Lugo deverá reiterar ao Brasil a solicitação de que seja revogado o status de refugiado concedido a três paraguaios suspeitos de vínculos com o EPP. Em fevereiro passado, o Governo paraguaio apresentou em Brasília uma solicitação formal para que seja revogado o refúgio, mas segundo disse Baumbach na sexta-feira, o status só poderá ser mudado se Assunção apresentar "novas provas" contra os acusados, o que não ocorreu até agora. Na reunião desta segunda, Lula e Lugo também farão uma avaliação dos acordos alcançados em 25 de julho de 2009 dentro das negociações sobre a divisão de energia da hidroelétrica de Itaipu, de propriedade compartilhada pelos dois países. O porta-voz de Lula antecipou que um dos assuntos que serão colocados será a oferta brasileira de construir uma linha de transmissão de 500 quilowatts entre Itaipu e Assunção. O preço da obra tinha sido fixado inicialmente em US$ 250 milhões, que seriam financiados totalmente pelo Brasil. Baumbach disse que agora se pretende que as obras, cujo custo situou entre US$ 350 e 400 milhões, sejam financiadas pelo Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), bloco que ambos os países integram junto com Argentina e Uruguai. Isso significa que o projeto precisa ser aprovado pelos quatro países, embora, segundo disseram à Efe fontes oficiais, o Brasil poderia facilitar o trâmite e apresentar a maioria ou até o total do dinheiro, através de contribuições especiais do Focem. O chanceler paraguaio, Héctor Lacognata, disse desconhecer a proposta brasileira de mudar o modo de financiamento da obra, mas assegurou que a construção da linha de transmissão começará em breve. Lacognata também reiterou a confiança do Governo paraguaio de que o Brasil vai honrar o compromisso de 25 de julho. EFE ed/rr

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