Com UE reticente, França insiste em suspensão de voos ao México

Luxemburgo, 30 abr (EFE).- Os ministros da Saúde da União Europeia (UE) começaram hoje uma reunião de urgência para tentar adotar medidas comuns contra a propagação da gripe suína, em clara oposição à ideia francesa de suspender os voos para o México.

EFE |

A Presidência da UE, ocupada pela República Tcheca, a Comissão Europeia e um grande número de países se opõem à proposta, que voltou a ser reiterada hoje pela ministra francesa, Rosalyne Bachelot.

"Não sou a favor de impor restrições às viagens", afirmou a ministra da Saúde tcheca, Daniela Filipiova, em nome da Presidência ao chegar à reunião, realizada depois que a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou a nível 5 (de um máximo de 6) o risco de alerta, por uma pandemia iminente.

Bachelot repetiu em sua chegada ao Conselho de Ministros o pedido de seu país para que se proíba a saída de voos para o México.

"A França propõe uma medida de proibição dos voos para a região mais afetada pela grande epidemia, ou seja, uma proibição dos voos ao México", disse.

Ela explicou que uma proibição dos voos procedentes do México teria "um efeito contraproducente" já que os viajantes chegariam através de outros países e não se poderia saber que pessoas embarcaram no México. Segundo a ministra, não seria feito um acompanhamento médico.

A ministra espanhola, Trinidad Jiménez, manifestou sua oposição à medida, que para ela é "muito drástica" e que "não seria muito útil neste momento".

"Uma medida de tais características tem que ser um pouco mais pensada, e temos que esperar para ver como evolui a situação para adotar uma ação que, para nós, é muito drástica", declarou.

A ministra alemã, Ulla Schmidt, por sua vez, mostrou também sua oposição, ao assinalar que não faz sentido do ponto de vista prático.

Para isso "seria preciso estender a proibição de voos a mais regiões e eu sou contra proibições individuais", afirmou a ministra alemã.

A comissária europeia de Saúde, Androulla Vassiliou, evitou manifestar sua posição ao chegar à reunião, mas fontes comunitárias afirmaram que o Executivo da UE se opõe firmemente à proposta francesa.

Essa ideia recebeu até agora unicamente o apoio de alguns países pequenos e a oposição de vários, segundo as fontes, enquanto outros membros da UE não manifestaram opinião clara.

A Itália parece integrar este último grupo, depois que seu subsecretário de Estado de Saúde, Ferruccio Fazio, assinalou de forma cautelosa que poderia ser "enfrentada a possibilidade de restrições nas viagens".

Além da questão das viagens, os ministros da Saúde debatem hoje uma descrição médica harmonizada para o diagnóstico da doença, com objetivo de acelerar sua detecção e tratamento.

Também discutem a coordenação da distribuição de remédios antivirais, e vários países seguem dispostos a criar um banco comum desses medicamentos para os integrantes do bloco. EFE ahg/rr

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