Com revés eleitoral, partido de Putin perde facilidade para mudar Constituição

Observadores europeus denunciam irregularidades e oposição afirma que governo pode manipular resultado para evitar vexame

iG São Paulo |

Resultados preliminares das eleições parlamentares russas indicam que o partido Rússia Unida, do primeiro-ministro Vladimir Putin, deve perder a maioria de dois terços do Parlamento, que permitia promover mudanças na Constituição sem grandes problemas.

Com 96% da apuração finalizada, a Comissão Central Eleitoral disse que o Rússia Unida tem 49,5% dos votos, uma forte queda em relação a 2007, quando obteve 64%. O chefe da Comissão Eleitoral, Vladimir Churov, disse que a Rússia Unida deverá manter uma pequena maioria na Câmara baixa do Parlamento, a Duma, com 238 de 450 cadeiras.

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AP
Funcionários da comissão eleitoral esvaziam urnas em colégio eleitoral de São Petersburgo (04/12)

Se a previsão se confirmar, o Rússia Unida terá perdido sua atual maioria de dois terços da Duma (315 cadeiras). Apesar de já não poder mudar a Constituição com facilidade, Putin não deve ter problemas para aprovar leis já que o socialista Rússia Justa e o Partido Liberal Democrático costumam votar com o Rússia Unida na Duma. Para analistas, mesmo a oposição do Partido Comunista é apenas “simbólica”.

De acordo com Churov, o Partido Comunista ficou em segundo lugar nas eleições, com 19,2% dos votos e 92 cadeiras. O Rússia Justa ficou em terceiro com 13,2% dos votos e 64 cadeiras, enquanto o nacionalista Partido Liberal Democrático conquistou 11,7% da votação e 56 lugares no Parlamento.

Na noite de domingo, Putin tentou mostrar o lado positivo da votação, dizendo que o resultado permite ao Rússia Unida “garantir o desenvolvimento estável do país”.

A eleição é um teste de popularidade para Putin, que concorrerá novamente à Presidência do país em março.

Irregularidades

Partidos da oposição afirmaram que autoridades podem manipular a votação para garantir que o Rússia Unida ultrapasse a marca de 50% dos votos. Mikhail Kasyanov, um ex-premiê que hoje está na oposição, afirmou que Putin precisa do número para não parecer fraco. Entre as principais denúncias estão desde a compra de votos à descoberta de urnas cheias de votos falsos.

"Recebemos milhares de ligações de oficiais regionais, confirmando muitas violações e fraudes", disse o vice-diretor do Partido Comunista, Ivan Melnikov, no site do partido. "Ao longo do dia, foi como receber relatos de uma zona de guerra."

Observadores da Organização para a Segruança e a Cooperação na Europa e da assembleia do Conselho da Europa, que integram uma missão internacional no país, afirmaram nesta segunda-feira que a votação foi tendenciosa e favoreceu o partido governista.

Segundo os observadores, a campanha eleitoral russa foi marcada por "limitada competição política e ausência de imparcialidade" e a apuração "foi caracterizada por frequentes violações dos procedimentos e situações de manipulação aparente, incluindo indicações de enchimento de urnas com votos".

O grupo Golos, cujos monitores não são afiliados a nenhum partido, diz que seu site sofreu um ciberataque. A estação de rádio liberal Ekho Moskvy também afirma que seu site foi atacado.

Com BBC, Reuters e AP

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