Com ressalvas, Rússia promete retirada da Geórgia

O governo russo prometeu nesta segunda-feira retirar suas forças de parte do território da Geórgia até a segunda semana de outubro, desde que sejam estabelecidas garantias de que o governo georgiano não voltará a atacar as regiões autônomas da Abecásia e da Ossétia do Sul. A retirada das tropas, porém, não vai incluir os soldados que estão nas duas regiões autônomas.

BBC Brasil |

A informação foi divulgada em uma entrevista coletiva em Moscou do presidente francês, Nicolas Sarkozy, ao lado do presidente russo, Dmitry Medvedev, depois de mais de três horas de negociações entre os dois líderes.

Ao lado do chefe de política internacional da União Européia, Javier Solana, e do chefe da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, o presidente francês foi a Moscou para tentar destravar alguns impasses que se estabeleceram na região desde o fim do breve conflito entre Geórgia e Rússia, no mês passado.


Sarkozy se encontrou com o presidente russo Dmitri Medvedev / Reuters

Pontos de acordo

Além de aceitar a retirada das tropas até meados de outubro, o governo russo se comprometeu, segundo o presidente francês, a desmantelar controles de estradas fora das duas regiões autônomas e concordou com o envio de 200 monitores da União Européia para a Ossétia do Sul.

O presidente russo confirmou também que as tropas de seu país irão sair das áreas no entorno da Abecásia e da Ossétia do Sul, retornando às posições que ocupavam antes do conflito de setembro.

"Essa retirada será implementada dez dias depois do estabelecimento de mecanismos (de controle) internacionais, incluindo não menos do que 200 observadores da União Européia, que devem chegar (à região) até o dia 1º de outubro de 2008", disse Medvedev.

Outro ponto que ficou definido no encontro é uma reunião internacional em Genebra no dia 15 de outubro para debater formas de estabilizar a região, discutir a situação de refugiados e outras questões que as duas partes concordem em debater.

Os detalhes exatos de como será esse encontro, no entanto, não foram divulgados.

Para cumprir sua parte no acordo, o governo de Medvedev disse ter pedido garantias de que a Geórgia não voltará a atacar as duas regiões autônomas.

A guerra entre os dois países começou depois que os georgianos atacaram a Abecásia e a Ossétia do Sul, duas regiões que fazem fronteira com a Rússia, tem maioria étnica ligada aos russos e viviam de forma autônoma desde os anos 1990, sob proteção de soldados de paz russos.

O próprio Medvedev afirmou ter recebido da comitiva européia uma carta assinada pelo presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, prometendo não voltar a usar a força na região.

Sem solução

A comitiva européia deixou as negociações em Moscou afirmando que o encontro foi positivo. Mas vários pontos de atrito permaneceram em aberto.

O presidente russo fez críticas à Geórgia e aos Estados Unidos, dizendo que o país vizinho está tentando se rearmar com apoio dos americanos.

Medvedev também quer discutir internacionalmente o status das duas regiões, algo que a Geórgia se nega a fazer porque afirma não há dúvidas de que elas são parte de seu território.

A Rússia reconhece a independência das duas regiões e afirma que não vai admitir que elas sejam reintegradas ao território da Geórgia.

Esse é um dos pontos mais polêmicos sobre o futuro do conflito, já que a grande maioria das nações ocidentais, em especial os países europeus e os Estados Unidos, não aceitam a independência da Abecásia ou da Ossétia do Sul.

Um sinal de como a situação permanece distante de uma solução foi a anúncio, também nesta segunda-feira, de que o governo americano está retirando a proposta de colaboração civil na área nuclear com a Rússia.

O acordo foi enviado ao Congresso americano em maio, após dois anos de duras negociações, e previa, entre outros pontos, troca de tecnologia e o estabelecimento de um negócio bilionário de estocagem pelos russos de combustível nuclear americano usado.

Analistas já previam que os congressistas americanos deveriam vetar o acordo em meio à atual crise. Por isso, acreditam que a decisão do governo Bush de retirar o acordo é mais uma forma de mostrar insatisfação com a posição russa.


Mapa da Geórgia


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