Com ressalvas, EUA apoiam ampliação de capital do BID

Medellín (Colômbia), 29 mar (EFE).- O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, apresentou hoje, com ressalvas, o apoio dos Estados Unidos à ampliação de capital do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

EFE |

"Pensamos que há cabimento em ampliar o balanço de capital", afirmou Geithner na assembleia anual do BID, durante a qual frisou que essa ampliação deve estar vinculada a certas condições, como a boa governabilidade e o bom uso dos recursos dos contribuintes.

Neste domingo, os diretores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), reunidos em Medellín, analisaram a proposta para que o organismo aumente seu capital em US$ 180 bilhões, para US$ 280 bilhões.

A injeção de recursos, a nona nos 50 anos de história da entidade, busca assegurar o fluxo de crédito aos países da América Latina.

Este ano, o BID deve emprestar a quantia recorde de US$ 18 bilhões. Porém, já disse que terá que reduzir os empréstimos para US$ 6 bilhões se não conseguir capital adicional no prazo de 18 meses.

Muitos dos países da região manifestaram seu apoio à iniciativa, mas o posicionamento dos Estados Unidos, o sócio que tem as rédeas da situação, gerava inquietação, já que o país ainda não tinha se pronunciado oficialmente sobre a questão.

Por conta disso, a presença do secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, na cidade colombiana de Medellín, sede da assembleia do BID, gerou hoje tanta expectativa.

Geithner foi convidado para discursar na abertura da reunião do BID, que começou por volta das 19h (de Brasília).

Para que o banco aumente seu capital, o aumento das contribuição dos EUA terá que ser aprovada no Congresso do país, que já deu mostras de que não está muito inclinado a dar seu sinal verde à operação.

Influentes legisladores americanos expressaram suas reservas em relação à medida, ao mencionar que, primeiro, o BID precisa assegurar que as recentes perdas contábeis de US$ 1,9 bilhão não voltarão a se repetir.

O ex-primeiro-ministro do Peru Pedro Pablo Kuczynski, líder de uma comissão independente criada há três meses para apresentar uma série de recomendações ao BID sobre o aumento de capital da instituição, afirmou que "o crucial" seria a mensagem de Geithner, assim como a vontade do Congresso americano.

Os EUA, com 30% de capital, são o maior dos 48 acionistas do BID, ao passo que 26 países da América Latina e do Caribe têm, juntos, 50,02%.

Enquanto esperava a posição dos EUA, Kuczynski disse que havia "um ambiente bom para uma proposta nesta linha".

O presidente do BID, Luis Alberto Moreno, foi a pessoa que hoje fez a proposta de aumento de capital na assembleia de diretores da entidade, informou Kuczynski.

A comissão de Kuczynski, integrada pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, concluiu que, devido aos efeitos da crise e às dificuldades dos países latino-americanos em ter acesso aos mercados de capital, é "imprescindível" que o BID aumente seus empréstimos.

O ex-premiê peruano também lembrou que, iniciada a reunião dos diretores do BID neste domingo, "deve haver sinais de fumaça branca" sobre o pedido de aumento de capital "entre amanhã e depois".

Já o Departamento do Tesouro americano adiantou que, em seu discurso de hoje, Geithner destacaria "o importante papel que o BID desempenhou em resposta à crise global na região".

O secretário do Tesouro também ressaltaria que o momento é de as instituições financeiras "aumentarem seus recursos, tirarem o máximo proveito dos fundos e utilizarem todas as ferramentas a seu alcance para ajudar os países emergentes e em desenvolvimento".

O comunicado já dava indicações de que os EUA apoiariam a ampliação de capital do BID. EFE tb/sc

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