Com rap, extrema-direita austríaca busca voto jovem nas legislativas

Luis Lidón. Viena, 28 set (EFE).- O austríaco HC canta rap em discotecas, aparece retratado como o revolucionário Ernesto Che Guevara, tem uma tira de história em quadrinhos e quando fala, seus seguidores o apóiam como se fosse uma estrela.

EFE |

A sigla HC, não rara para denominar rappers, passaria despercebida se não service de alcunha para Heinz-Christian Strache, candidato do ultradireitista Partido Liberal da Áustria (FPÖ), que aposta suas fichas no eleitorado jovem nas legislativas de hoje, nas quais pela primeira vez pessoas a partir de 16 anos poderão votar na Europa.

As últimas pesquisas indicam que o FPÖ levará a maior parte (28%) dos votos dos eleitores jovens, e no total pode conseguir até (20%) no pleito parlamentar, o dobro em relação ao que conquistou há dois anos.

Cerca de 184 mil eleitores se incorporaram ao eleitorado graças à medida de reduzir a idade mínima para votação para 16 anos, aprovada em maio de 2007 pela dissolvida grande coalizão austríaca formada pelo Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ) e o Partido Popular Austríaco (ÖVP), em uma tentativa de dar mais vitalidade à democracia austríaca.

Analistas ressaltam que neste grupo, 30% ainda não decidiram seu voto, e que sua principal característica é a heterogeneidade, por isso que suas decisões, até certo ponto, são imprevisíveis.

O FPÖ fez campanha em discotecas e seu candidato, o mais jovem das eleições com 39 anos, não hesitou em cantar rap, se deixou retratar como o "Che" - com uma estrela azul em vez da clássica vermelha - e tem inclusive uma tira de histórias em quadrinhos com um super-herói conhecido como HC-Man.

Pouco importa que o rap tenha surgido no Bronx nova-iorquino para denunciar, entre outras coisas, a segregação racial, nem que o ideário do "Che" não seja o mesmo de sua esfera política.

Suas mensagens radicais contra a União Européia (UE) e os imigrantes parecem conquistar mais os jovens que as dos outros candidatos, e pesquisas indicam que ele é a primeira opção entre os que votam pela primeira vez.

No rap eleitoral "Viva HC straCHE" são citados todos os assuntos possíveis: contra a esquerda, a UE, os imigrantes, o Islã e o encarecimento dos alimentos.

No entanto, seus seguidores cantam aos gritos o refrão: "Queremos HC, um rebelde social com coração e encantamento".

"É alguém que diz a verdade ao povo. Chegamos a uma situação na qual é preciso votar nele" para que os austríacos representem algo em nosso próprio país, relatou hoje à Agência Efe Clemens, um adolescente com um boné de beisebol do FPÖ em um comício em Favoriten, o maior bairro operário de Viena.

Outra enquete do Instituto de Pesquisa da Cultura da Juventude aponta também uma diferença no eleitorado jovem: aqueles que cursam ensino médio regular sentem mais inclinação pelo Bloco Verde (DG), enquanto os que realizam um curso profissionalizante profissional preferem Strache.

"Com suas mensagens radicais contra os estrangeiros", o eleitorado principiante entende Strache, explicou Beate Grossegger, do Instituto de Pesquisa da Cultura da Juventude, que enumerou os temas que mais interessam aos jovens: a política de estrangeiros, a formação e a busca de emprego.

"Strache é considerado o candidato dos jovens, inclusive entre aqueles que dizem que jamais votariam nele", acrescentou o especialista à imprensa austríaca.

Esse mesmo estudo revela que 70% dos jovens não têm confiança nos políticos e que a maioria dos conteúdos da campanha passou longe das preocupações dos adolescentes.

O SPÖ também fez promessas aos jovens como a supressão das matriculas universitárias, no entanto não conseguiu grande apoio dessa parcela da população, já que fez promessas parecidas nas eleições passadas e não cumpriu.

"Com o voto a partir dos 16 anos se incorporam 180 mil novos eleitores, 3% do eleitorado. Os aposentados representam cerca de 25%. Isso significa que o resultado das eleições depende principalmente dos mais velhos", destaca o analista Peter Filzmaier relativizando a importância do eleitorado adolescente no resultado.

EFE ll/ab/rr

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