Com queda de Governo, R.Tcheca perde poder de negociação na UE, diz premiê

Praga, 24 mar (EFE).- O Governo de coalizão da República Tcheca, derrubado hoje por uma moção de censura proposta pela oposição socialdemocrata e apoiada pelos comunistas do Parlamento, perdeu seu poder de negociação nas reuniões da União Europeia (UE), admitiu o conservador Mirek Topolanek, primeiro-ministro do país.

EFE |

Apesar disso, a República Tcheca, como país à frente do bloco europeu no atual semestre, comandará a reunião do G20 convocada para 2 de abril, em Londres, e a cúpula de chefes de Estado e de Governo entre UE e Estados Unidos, que acontecerá dias depois, em Praga.

Nesta terça, o Executivo tcheco não resistiu à quinta moção de censura proposta pelos parlamentares opositores, mas só por causa de quatro deputados da coalizão insatisfeitos com o Governo: os conservadores Vlastimil Tlusty e Jan Schwippel, e as não alinhadas Vera Jakubkova e Olga Zubova, convidadas a deixar o Partido Verde (SZ).

Dos 197 parlamentares (de um total de 200) presentes na câmara baixa, 101 votaram contra o Executivo, exatamente o mínimo necessário estabelecido pela Constituição, anunciou o vice-presidente da casa, Miroslava Nemcova.

Como só um dos deputados rebeldes (Schwippel) tinha antecipado seu voto à imprensa, comentaristas viram na decisão de Vera e Olga um acerto de contas com o ministro do Meio Ambiente e líder do SZ, Martin Bursik.

Pouco depois de tomar conhecimento do resultado da votação, Topolanek, que deve apresentar sua renúncia ao presidente Vaclav Klaus nas próximas horas, declarou: "Cumprirei meus deveres constitucionais".

Por sua vez, o chefe de Estado confirmou que "terá sequência o caminho estabelecido pela Constituição", o que significa que, em breve, ele determinará a formação de um novo Executivo em substituição ao atual, que, enquanto isso, continuará governando.

O líder da oposição socialdemocrata, Jiri Paroubek, já disse que "tolerará" o atual Governo até o fim do mandato da República Tcheca à frente da UE, em junho. Depois disso, declarou, um Governo de tecnocratas deveria ser nomeado até a realização de novas eleições.

"Topolanek recebeu o que merecia", afirmou Paroubek, que criticou a falta de resposta do Executivo à crise econômica.

O atual gabinete de Governo tomou posse no começo de 2007, depois de mais de seis meses de incertezas pós-eleitorais.

Nesse período de negociações, o Executivo conservador surgido do pleito legislativo de junho de 2006 não conseguiu tomar posse, dado o seu caráter minoritário.

Agora, o Partido Democrático Cidadão (ODS), liderado por Topolanek, espera que um de seus membros receba a incumbência de formar o novo Governo, mas com a condição de que não precise do apoio dos comunistas.

Caso contrário, o ODS é a favor da convocação de novas eleições antes do fim de setembro.

Por sua vez, o partido esquerdista, liderado por Vojtech Filip, pediu hoje um Governo de união nacional que o inclua. EFE gm/sc

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