Com quase 100% das urnas apuradas, Morales tem 67,43% de respaldo

La Paz, 15 ago (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, obteve apoio de 67,43% da população para continuar em seu cargo no referendo realizado domingo passado, próximo ao término da apuração oficial, informou hoje a Corte Nacional Eleitoral (CNE).

EFE |

Com 99,9% das urnas apuradas, o "sim" à continuidade de Morales e do vice-presidente Álvaro García Linera soma 2.102.620 votos, equivalentes a 67,43%, poucos décimos percentuais a menos que os dados de ontem (67,8%), quando 96,3% dos votos haviam sido apurados.

De qualquer forma, a nova porcentagem supera amplamente os 53,7% que Morales obteve nas eleições presidenciais de dezembro de 2005.

O referendo revogatório levou o presidente Morales a afirmar nesta quinta-feira que agora conta com "o poder do povo" para governar, e não só com o dos movimentos sociais que o apoiaram nas últimas eleições nacionais.

A gestão de Morales foi ratificada em seis dos nove departamentos (estados) da Bolívia: Oruro e Potosí, ambos controlados por governistas, e Chuquisaca, La Paz, Cochabamba e Pando, que são controlados por opositores.

O "não" a Morales foi maioria nos departamentos de Santa Cruz, Beni e Tarija, as regiões que junto com Pando constituem o opositor e autonomista território da meia-lua.

Quanto aos governadores regionais, a apuração oficial da CNE confirma a ratificação do governista Mario Virreira em Potosí, e dos opositores Rubén Costas (Santa Cruz), Ernesto Suárez (Beni), Leopoldo Fernández (Pando) e Mario Cossío (Tarija).

No caso do governador de Oruro, o governista Alberto Aguilar, o "sim" é maioria com 50,86%, mas a Corte Eleitoral Departamental anunciou que em 24 de agosto a votação será repetida em duas seções da capital regional por terem sido detectadas irregularidades, informou hoje o jornal "La Prensa".

A contagem oficial confirma também a revogação de dois governadores opositores: o de La Paz, José Luis Paredes, e o de Cochabamba, Manfred Reyes Villa.

O primeiro admitiu sua derrota no próprio dia do referendo, e o segundo abandonou seu cargo dias depois, mas questionando a legalidade da consulta.

A lei que regula o referendo de 10 de agosto estabelece que os governadores revogados terão que abandonar suas funções e que o presidente da República "designará o governador que exercerá as funções" até que sejam realizadas as eleições departamentais (estaduais).

A governadora de Chuquisaca, a opositora quíchua Savina Cuéllar, foi a única que não teve que passar pela consulta popular por ter sido recentemente eleita, em junho passado, na eleição antecipada realizada em seu departamento devido à renúncia de seu antecessor.

Após o referendo de 10 de agosto, o presidente Morales e seus opositores iniciaram conversas para tentar chegar a um acordo que resolva a complexa crise boliviana, originada pelo enfrentamento entre o projeto constitucional do presidente e o plano autonomista de alguns departamentos opositores.

No entanto, a primeira tentativa de diálogo fracassou e as regiões controladas pela oposição anunciaram uma greve geral contra o Governo Morales para a próxima terça-feira, 19 de agosto. EFE sam/fh/rr

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