Com ou sem crise, italianos não abrem mão do panetone no Natal

Por Marie-Louise Gumuchian MILÃO, 22 de dezembro (Reuters Life!) - Numa padaria agitada no centro de Milão, as estantes de panetone estão sendo esvaziadas rapidamente.

Reuters |

Um fluxo constante de milaneses e turistas lota a casa o dia todo para comprar os bolos fofos e altos com uvas passas e frutas secas que são a marca registrada das mesas de Natal na Itália.

"O Natal não seria Natal sem panetone", disse o aposentado Ermenegildo Rossi, 62, enquanto comprava seu panetone de um quilo.

Os italianos podem estar gastando menos com presentes este ano, mas não estão reduzindo os gastos com doces. Segundo os fabricantes de panetones, as vendas estão em alta este ano, na medida em que os consumidores fustigados pela crise buscam conforto na tradição.

A Bauli, líder do mercado que no ano passado comprou as marcas Motta e Alemagna, registrou aumento de 15 por cento nos pedidos em relação ao ano passado.

Para este Natal, o grupo --que domina 40 por cento do mercado e também produz croissants e biscoitos o ano inteiro-- vai produzir 35 milhões de panetones e bolos dourados Pandoro. Essas vendas representam metade de sua receita anual, estimada em mais de 400 milhões de euros (572 milhões de dólares) este ano.

O diretor da Aidi, associação italiana de produtores de bolos e doces, disse: "Esperamos que o consumo de panetone se mantenha firme, graças à tradição e ao simbolismo do Natal, que provavelmente levarão os consumidores a consumir mais, apesar do clima econômico difícil."

Os preços do panetone podem variar de cerca de 5 euros para um panetone de 1 quilo no supermercado até mais de 30 euros em cafés chiques.

Existem muitas histórias sobre a possível origem do panetone. Uma das mais contadas diz que um nobre disfarçado de ajudante de padeiro teria inventado o bolo para cortejar Aldagisa, a bela filha de um padeiro de Milão.

Outros dizem que Toni, cozinheiro do nobre milanês Ludovico il Moro, o teria inventado quando acabaram os ingredientes do pão comum. Por isso a criação teria sido batizada de "pan di toni," ou pão de Toni.

Na realidade, o panetone provavelmente tem suas origens na tradição do norte da Itália de as pessoas dividirem um pão grande no Natal. Hoje há diversas variações regionais de panetone, desde o "pandolce" de Gênova até panetone da região de Abruzzo, no sul da Itália, recheado de nozes e com cobertura de chocolate, passando pelo "pandoro" dourado de Veneza.

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