Marta Berard. Colombo, 27 jan (EFE).- O presidente do Sri Lanka, Mahinda Rajapaksa, obteve um segundo mandato, segundo os dados oficiais divulgados hoje, que seu adversário, o general Sarath Fonseka, rejeitou por terem sido manipulados, enquanto denunciava que as autoridades pretendem prendê-lo.

Segundo os resultados colocados no site da Comissão Eleitoral, o atual presidente alcançou uma folgada vitória nas eleições de ontem, com 57,88% dos votos.

Fonseka conseguiu 40,15% dos votos, de acordo com esses resultados, que refletem a participação de 74,4% dos 14,1 milhões de eleitores registrados.

Simpatizantes de Rajapaksa comemoraram a vitória com fogos na avenida central de Colombo.

Pouco mais de 1,5 milhão dos eleitores registrados correspondiam às áreas do norte do Sri Lanka povoadas pela minoria tâmil, cujo voto ou abstenção - na falta de candidato próprio - era considerado relevante para determinar o resultado eleitoral.

Os dois candidatos principais à Presidência buscavam capitalizar a vitória obtida em maio de 2009 frente à guerrilha separatista tâmil, nas mãos de tropas comandadas por Fonseka.

"O presidente caminha com confiança para a vitória em massa.

Conseguiu a maioria em Anbalangoda, a cidade natal de seu oponente", afirmou o site presidencial, em uma informação na qual já anunciava que, com a metade dos votos apurados, Rajapaksa obtinha quase 60% do apoio.

Rajapaksa se torna, assim, o sexto presidente da República Democrática Socialista do Sri Lanka e o primeiro do pós-guerra, depois de 25 anos de conflito armado com os Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE).

Mas a situação ameaça virar uma tempestade após ser cercado esta manhã, pelo Exército, o hotel do centro de Colombo onde se encontra Fonseka - que ontem não pôde votar, por não estar registrado - com sua família e equipe.

Em comunicado enviado à Agência Efe, Fonseka denunciou que "todos os resultados emitidos até agora foram manipulados".

"Não confiem nos resultados apresentados, não são oficiais", advertiu o candidato, afirmando que estava sitiado no hotel e que as tropas estavam esperando a "ordem final" para prendê-lo, junto com sua família.

O porta-voz do Exército, Udaya Nanayakkara, confirmou o posicionamento de soldados, mas justificou a mobilização pela presença de desertores militares no hotel.

"Queremos que os desertores saiam e se rendam", acrescentou Nanayakkara, que não confirmou se estes estavam armados.

O porta-voz negou com contundência que as tropas tenham a intenção de deter o candidato opositor e seus parentes.

"Isso não é verdade. Não recebemos nenhuma instrução de deter nem Fonseka nem sua família", disse Nanayakkara, acrescentando que, se o candidato quiser sair do hotel, poderá fazê-lo.

Os analistas esperavam eleições apertadas entre os dois "heróis" da guerra contra o LTTE, e apontavam que Fonseka tinha o apoio da capital, Colombo.

No entanto, os resultados colocados pela Comissão Eleitoral em seu site terminaram concedendo também a vitória a Rajapaksa no distrito da capital, com 614.740 votos (52,93%), frente a 533.022 votos (45,9%) para Fonseka.

Os observadores já questionaram hoje o dado sobre a participação, superior a 70%.

O porta-voz do centro de observação eleitoral cingalês Paffrel, Rohana Hettiarachchi, calculou para a Efe que a participação no sul do país, onde habita a maioria cingalesa, pode ter sido de 80%.

Mas a rebaixou para 20% na península setentrional de Jaffna, capital cultural dos tâmeis do Sri Lanka, e a 10% nos distritos de Mullaitivu e Kilinochi, antiga capital de fato da guerrilha tâmil.

Enquanto saiam os resultados, duas pessoas morreram hoje em uma explosão registrada no distrito de Kandy, informou o canal "Adaderana", que não precisou suas fontes. EFE mb-ja/an

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